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Crônica #67 | Herdeiros de uma geração

Atualizado: 6 de set. de 2022

Operação “mimimi”



Pais superprotetores e a linha limite que não percebem ser necessário, para uma estruturação saudável na vida dos filhos.

Presenciei uma cena numa fila de um parquinho de diversões. Uma criança com medo da roda gigante, antes mesmo de experimentar, porém, com vontade de enfrentar. Havia uma discussão entre os pais da criança. A mãe lhe impõe o medo de um possível acidente com queda, medo de altura, vento frio, insegurança do equipamento, narrativa de acidentes em outros parques etc. O pai, além de dizer que não queria estar ali, concorda com os argumentos da mãe, acrescenta que ele próprio tinha medo da brincadeira e que não podia acompanhá-lo. Tristemente o menino sai da fila e se senta próximo da grade, observando o giro suave da roda gigante e o entra e sai das pessoas ali presentes.

Logo em seguida, chega uma garota e entra com a mãe na roda gigante. A menina deslumbrada com a sensação de subir e descer, apontava para as coisas que via lá de cima, ria alto, gritava feliz a cada parada. O garotinho, sentado encolhido entre os pais, observava e franzia o olhar demonstrando sinais de repulsa e medo pela aventura da garotinha nas alturas. A superproteção é um alicerce assombroso, e gerador de futuros desequilíbrios na formação da personalidade das crianças. Sabemos que a infância é uma fase que requer proteção e cuidado por parte dos pais, até mesmo a adolescência. No entanto, o cuidado e a superproteção são bem diferentes e divergem nas condutas de ações.

No decorrer do crescimento a criança cai, se machuca, se frustra, passa por tristezas, e com tudo isso se preparará para encarar os desafios de uma vida em sociedade. A criança que for poupada de todo tipo de sofrimento, de qualquer perigo, vivendo sempre protegida num tipo de redoma, vivendo dentro de uma bolha irracional criada pelos próprios pais; não conhecerá as ferramentas necessárias para um enfrentamento saudável. O mundo é um lugar inóspito, cheio de asperezas, com todos os tipos de adversidades que machucam, mas é também um lugar muito belo e recheado de coisas fantásticas e maravilhosas. A criança que passou por frustrações e todos os sentimentos que fazem parte de uma vida normal, terá referenciais de forma real, quando da vivência de momentos de alegria e satisfação também. Os contrastes evidenciando as experiências de vida!

O excesso de cuidado e zelo é amor para muitos pais, porém, há uma linha que na sua sutileza confunde os sentimentos. Amor e culpa, principalmente nos dias de hoje, é confuso e se camufla tal como um camaleão no meio de árvores e folhagens. O excesso de trabalho, a competição frenética que se instalou dentro da sociedade, a falta de tempo para tudo é a triste realidade atual, principalmente dentro dos grandes centros urbanos.

Os momentos de convívio familiar estão cada vez mais comprometidos e escassos, a ponto de não se criar vínculos afetivos. Uma compensação quase que saindo do domínio da razão, transforma-se na satisfação de todos os desejos da criança. Um contrabalanço como medida de remediar a culpa, que muitas vezes de forma inconsciente, se apodera dos pais.



Perdeu uma das últimas novidades das Crônicas? Então confira a seguir: Podcast Crônicas #5 | Grandiosidade do Perdão



Então, num cenário de uma realidade caótica, crescem as crianças sem os devidos limites, aquelas que tudo podem fazer, que não são cobradas e nem contrariadas. E muitas vezes colocadas pelos próprios pais, num pedestal, com o uso exagerado de zelo para não machucar a autoestima delas; mesmo sabendo que tiveram comportamentos inadequados, não éticos e até desonestos. Sempre muito mimadas, essas crianças se tornam sensíveis, e se ofendem por qualquer coisa. Crescem achando que tem todos os direitos e nenhum dever a cumprir.

O que se esperar desse tipo de criança?

Imaturidade, incapacidade ou incompetência no exercício da maternidade ou paternidade. O alicerce rudimentar e pobre construído por eles ao longo de toda vida, se refletirão no padrão de comportamentos, nas decisões e nas escolhas de seus filhos.

Geração Y, geração “mimimi”, geração “nem nem”, enfim, são tantos nomes que receberam, mas um me chamou a atenção por ser quase que poético, geração snowflake ou geração floco de neve. Pela analogia, um floco de neve tem uma singular beleza, uma perfeição, porém e principalmente, pela sua não só aparência, mas real fragilidade.

Pensando em fragilidade e o quanto isso era combatido pela geração em que cresci, lembrei-me quando estava cursando o ginásio, por volta de 12 a 13 anos. Havia na época, uma competição interna entre classes em que fui goleiro de futebol de campo. Num certo jogo perdemos de 8 a 0. Fomos tão humilhados e massacrados que fui chamado de “japa do frango”. Foi muito frustrante, porém, ninguém do nosso grupo reclamou, pelo contrário, o grupo ficou mais unido e pedimos um treinamento com o professor de educação física; agora defendendo um time de handebol. Os jogos seriam nas férias de inverno, no meio do ano; e foi combinado que os treinamentos seriam feitos após as nossas aulas normais.

Vivi num mundo de competição, e mesmo havendo muito bullying, era encarado como natural e corriqueiro. Precisávamos saber enfrentá-los, e enfrentávamos da melhor maneira possível, dentro da maturidade que a idade impunha. Nós orientais fomos alvos de muito, muito bullying. No entanto, paralelamente, crescer num ambiente enriquecido com compreensão por parte dos pais e amigos, cuidando das cicatrizes provocadas pelas grosserias do mundo; proporcionou o entendimento e enfrentamento das dores, das tristezas e das frustrações, como fatos a serem superados.

O mundo hoje continua com suas competições e adversidades de forma diferenciada, não deixou de ser perigoso, áspero e cheio de contratempos, muito pelo contrário.

Sabendo que este mundo é rude e cruel, os pais acabam muitas vezes por proteger demais os seus filhos, criando um tipo de encarceramento emocional e consequentemente social. Acabam por evitar uma exposição das crianças aos reais e inevitáveis perigos da vida

Recebendo tudo dentro de uma comodidade confortável, não aprendem como conquistar as coisas com esforço próprio, muito menos aprendem a lidar com frustrações. Quando isso faz parte do seu currículo de vida, acabam entrando num círculo vicioso de reclamações, acreditando posteriormente, que o seu fracasso em qualquer área de sua vida, seja no emocional, pessoal, ou mesmo profissional, seja culpa dos pais, das escolas, do governo, da política, dos colegas, dos amigos, enfim, da sociedade ou mesmo desse mundo cruel.

A dura verdade é que, a presença e a segurança oferecida pelos pais não serão eternas. Haverá um momento em que precisará confrontar essa árdua realidade, o sair do seu reduto para respirar no mundo externo. Sentirá então que o ar é diferente, de uma natureza um tanto ácida; seria quase como respirar sem o oxigênio.

No momento em que descobre que esse mundo real não foi aquele criado por seus pais, acabam por deprimir. Está criado aqui aquele grupo da geração “nem nem”. Nem trabalham, nem estudam, nem se esforçam, enfim, pobre consequência do padrão inseguro nascido da criação parental.

Geralmente essas crianças desenvolvem inúmeras dificuldades: desde não resistir a nenhum tipo de pressão, não conseguir trabalhar em equipe, achar que é superior a qualquer outra pessoa, que não é respeitada, chegando até a concluir que não deve se estressar, e sim buscar qualidade de vida.

Avançando na idade, percebe-se com evidência maior, o surgimento dos problemas decorrentes da superproteção. Com a maturidade comprometida, sem competência para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, se coloca como vítima, podendo cair no mundo das drogas, dos vícios, e se estabelecer cada vez mais no mundo virtual.



Quer saber mais do podcast das Crônicas? Veja aqui onde encontrar todos os episódios da 1º temporada



A vida exige que para crescermos como seres humanos, necessitamos viver as várias estações que ela nos apresenta, ora passando pelo frio do inverno, ora pelo calor escaldante do verão, assim como escolher e preparar as sementes nas estações de plantio. Vivenciar as devidas colheitas, na sua apropriada estação. Até como apenas pela expressão, podemos entender que a geração snowflake sobrevive muito bem na estação do frio. Encontra bem-estar, um certo tipo de alívio, se mantendo confortável num ambiente frio como o das redes sociais, por exemplo. Prefere ficar na comodidade e somente no seu estado de floco, não se permitindo experimentar viver num estado líquido ou gasoso, onde se conquistaria diferentes níveis de realidades.

Chegou a estação de inverno, só que ao invés do frio, estávamos aquecidos pela presença e força de cada um que compunha o nosso grupo; onde havíamos nos enriquecido com muita amizade e foco no objetivo. O professor foi enérgico e cobrou intensamente de cada um. Novamente assumi a minha posição de goleiro. Nessa época não tínhamos tênis apropriado, nem joelheira. Trazíamos camiseta de casa, e usávamos ela a semana inteira. Voltávamos com hematomas, cordão de sujeira no pescoço, às vezes com a roupa rasgada. Ao vestir o uniforme de jogos pela escola, nos enchíamos de orgulho, e quando era tocado o hino nacional cantávamos em voz alta, com a mão direita sobre o peito. Chegou o dia da competição. Resultado: vencemos todos os jogos e sagramos campeões da modalidade. Fomos convocados para a competição Inter escolas: vencemos. Fomos para a Inter cidades, e saímos classificados como vice-campeões na estadual.

Bons tempos emocionantes e saudosos foram aqueles. Sonhos, desafios e foco no objetivo foram as conquistas do nosso grupo, da nossa união. Vencemos a fragilidade exposta naquele jogo perdido.

Lembro-me perfeitamente do dia da premiação, quando vi um dos colegas que tinha deixado o treinamento, sentado na arquibancada. Chegou próximo à quadra e me disse com semblante triste, que queria estar conosco vestindo o uniforme. Recebemos naquele dia uma medalha e um bóton, e este eu entreguei de presente a ele.

Na formatura, quando recebemos nosso diploma, ele veio próximo de mim e me mostrou seu título. De dentro do cartucho retirou o bóton que eu havia dado a ele, e vi que guardara com carinho. Era um garoto que demonstrava fragilidade comportamental, talvez envolvendo alguma questão emocional que ele não conseguiu enfrentar naquele ano, e que o levou a um estado triste de isolamento. Fico a me perguntar como está ele hoje.

A sua fragilidade foi pontual, ou fazia parte do seu padrão de comportamento?

Para os pais, conflitos de gerações sempre terão um fator de peso na escolha da educação que vai oferecer ao seu filho. Logicamente que não podemos colocar todos, de forma massiva, dentro de uma mesma e única realidade, mas, podemos concluir que o número da geração snowflake cresce assustadoramente.

Não se procura culpados, e sim o entendimento das lacunas que permitiu que os jovens se tornassem, o que se tornaram.

A nossa realidade de uns vinte antes para cá, mais precisamente com o aparecimento da internet pelo mundo, gerou uma grande e indiscutível influência na formação dessa geração de jovens.

Novos formatos de vida, e os desafios de se crescer nesse século, é algo também muito complexo para os nossos jovens. As crianças dessa geração, que cresceram com a internet e que foram alfabetizadas digitalmente, são crianças que estão muito envolvidas consigo mesmas pela autonomia de aprendizado, pois tem disponível absolutamente tudo dentro da rede. Num só clique, tem instantaneamente, qualquer tipo de informação que busca, tudo on line. Pode-se aprender o que quiser, sobre qualquer assunto, do mais simples ao mais complexo.

Muitos concordarão em dizer, que a segurança hoje é fator de muita preocupação. Em função disso, as crianças não andam mais sozinhas pelas ruas, todas trancafiadas em carros e em suas casas.

A velocidade com que avançou todos os tipos de tecnologia, nos trouxe muitos benefícios e mordomias; começamos a viver encarcerados, aprisionados em um mundo que não é mais o da geração anterior, que cresceu livremente pelas ruas. Caminhou para isso e dificilmente se conseguirá sair dessa realidade. Um equilíbrio pode ser buscado, paralelamente, mas por um despertar consciente.

Apesar de todas as questões envolvidas na fragilidade da geração atual, essa nova juventude nos encanta com suas peculiaridades. Na sua simplicidade e sua intimidade incontestável com a tecnologia, ela impera dentro do mundo digital. São poderosos e sabem controlar tudo, de maneira concreta e perfeita. Navegam com muita facilidade pelos caminhos da internet, são seguros e donos de si, são brilhantes. É uma geração nutrida de informações e conhecimentos, mas não nutrida em relações, em relacionamento humano, tão essencial para nossas vidas. O que aprende de conteúdo através de informações, desaprende a se relacionar, perde na habilidade socioemocional.

Observo que dentro do mundo virtual, qualquer coisa pode ser mostrada com perfeição, sem variáveis, tudo controlado. Então o jovem está no comando, ele decide com poder e exatidão o que quer fazer e mostrar.

Um dos pontos mais interessantes que me chama atenção no mundo virtual, é que existe um botão que tudo resolve, o botão do reset. Em qualquer momento que se perceber que houve uma falha é só clicar nele e tudo recomeça, tudo se resolve. O jovem que, de maneira extremamente simples, sempre se utiliza do reset para consertar ou recomeçar o que quer, fará o que no mundo real?

No mundo real não tem esse botão reset. As consequências de um erro, muitas vezes podem ser fatais. Nossos jovens estão numa imersão tão profunda no mundo digital, que se conflitam com a presença desse outro mundo, fora das suas telinhas.

Aqui fora, ele vai precisar interagir com pessoas reais, se apresentar tal como ele é, sem acertos com photoshop ou filtros disponíveis para se camuflar as falhas que não quer mostrar.





A vida no mundo virtual é tão intensa, que muitos jovens não conseguem mais se relacionar de forma normal com as pessoas. Essa é uma realidade cada vez mais presente no nosso dia a dia. Percebemos observando isso hoje, muito facilmente, num restaurante. As pessoas parecem muito mais à vontade navegando no seu smartphone, que conversando. Por não saber se relacionar, a pessoa parece ficar apavorada, paralisada, então opta pelo mais conveniente, a internet, mantendo-se dentro do seguro, conhecido e confortável mundo que criou, a sua rede social, a virtual.

Com o amadurecimento comprometido, podemos entender os estudos apontados pela Hebiatria, onde se diz que atualmente a adolescência está chegando aos 28 anos. Muitos jovens nessa idade não sabem cuidar de coisas triviais da vida, mal conhecem o funcionamento do mundo.

Até onde foi e vai, o conflito da realidade virtual com a verdadeira?

Podemos nos perguntar onde está inserida a insegurança, a fragilidade comportamental dessa geração snowflake, dessa geração do “mimimi”, dessa geração do “nem nem”.

O alerta, a consciência dos atuais e futuros pais ou tutores, devem estar em plena ação, sempre.

A vida é dura, é dura sim! Para que se conquiste algo é preciso trabalhar sim!

O trabalho faz parte da trajetória a ser percorrida para se evoluir. Importante se torna em passar uma visão positiva do valor do trabalho, seja em que nível for. O ócio leva a vícios, ao vazio existencial, a um estado em que não se valoriza a vida. E nossa vida é uma pedra preciosa, tão preciosa que para ver o seu valor, só lapidando. Na lapidação está inserida a luta diária em busca da conquista de um emocional saudável, a luta na conquista de uma profissão, de um sonho, de objetivos, enfim de todas as pequenas coisas que vão enriquecendo aos poucos a nossa evolução.

Estamos hoje educando a geração alpha, os nativos digitais, a mais jovem geração.

Os valores essenciais e os princípios humanos são os mesmos e prevalecem, assim como prevalecem as leis da natureza, as leis universais.

O mundo real não é tão previsível como o virtual, aqui estarão muitas das dificuldades dos nossos jovens.

Ensiná-los, mostrando e preparando no entendimento de que o nosso mundo é instável, imprevisível, incerto, e que diferente do mundo virtual, não se pode controlar as variáveis universais demandadas pela Vida.

As responsabilidades devem ser dadas proporcionalmente às suas idades, assim como a delegação de escolhas, de decisões, de negociações... sempre de forma bem assistida. A compreensão das necessidades respectivas de cada fase que estão vivendo, é de essencial importância.

Desde pequenas, as crianças podem e devem ser levadas a desenvolver habilidades e capacidades, se respeitando a sua idade. O seu desenvolvimento humano acontecerá de forma natural e duradoura, sem atropelos, gradativamente, conforme o decorrer das fases de uma vida.

Essa é a trajetória!

Equilíbrio na educação, ferramentas adequadas para a construção e criação de suas bases.

Plantar elementos de valores que serão levados por toda a vida.

Praticar a gentileza e cortesia: por favor, muito obrigado, bom dia, como vai, até logo, me desculpe...

Entender o respeito em todos os níveis.

Aprender a expressar e entender seus sentimentos, muitos adultos ainda não o sabem.

Ensinar através do exemplo: a intuição das crianças é muito aguçada; percebem muito mais aquilo que nós somos, do que aquilo que dizemos, portanto, não adianta querermos ensinar o que não somos. Se não formos coerentes com os nossos comportamentos, com o que as crianças estão vendo e vivendo, a credibilidade será zero.

Como tudo nesta vida, nada é permanente, as gerações assim como todas as coisas, são temporárias. No entanto, uma linha que passa por todas elas é permanente, e prevalece na sua essência o propósito da nossa evolução, evolução como seres humanos, como seres sociais, como seres que devem desenvolver todo o seu potencial progressivo.

Ponto de equilíbrio, importante e essencial ponto a se encontrar.



 



 


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