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Crônica #61 | Ciclos em conexão

As variadas estações da vida




Depois de uma belíssima temporada de amoras, grandes, suculentas e de uma cor sem igual, vieram as mangas. Nossa mangueira ficou carregada, usufruímos e compartilhamos as doces mangas, de uma espécie mais rara e deliciosamente saborosa. Privilégio sem fim, poder fazer as refeições imersos na energia encantada, emitida pelo nosso doce quintal.


A sala de jantar, com todas as janelas amplas e inteiramente de vidros voltadas para o quintal, nos possibilita essa troca mágica com a natureza. Vemos nesse momento também nosso abacateiro, com seus pesados abacates pendentes, verdes e já grandes, quase no ponto de nos oferecer todo o seu sabor. Num cantinho um pouco mais tímido, as acerolas e as pitangas com suas cores vermelho vivo, eclodindo pura vida na sua devida temporada. Sem falar no limão-cravo, carregadíssimo e já amadurecendo com suas cores alaranjadas, para termos uma longa temporada de deliciosas limonadas. E claro, não podiam faltar as jabuticabas, dois pés lindos, que nesse momento estão também exibindo de maneira puramente exótica toda sua beleza. O doce sabor de suas frutinhas negras, alegria dos passarinhos, das abelhas e das formigas. No canto mais afastado, um enorme e majestoso pé de ipê branco, a olhar lá de cima todo o conjunto das frutas, nos seus atarefados ciclos de floração à entrega final das frutas.


Todas as árvores oferecendo sua vida e suas frutas, sem nada questionar, apenas cumprindo sua função num ciclo incessante. Nenhuma delas pergunta quantas pessoas existem na família para produzirem de acordo; simplesmente produzem e oferecem o que de melhor elas tem de si. Produzem usando toda sua energia para oferecerem em abundância, sem qualquer sombra de egoísmo.



Que lindo, que magnífico!! Que exemplo grandioso de missão de vida e de doação. Doação pura, pois elas mesmas não saboreiam suas próprias frutas, apenas as oferecem a quem as cultivar. Muitas vezes, nem precisando serem propriamente cultivadas, vão nascendo nos lugares onde suas sementes chegarem e encontrarem solo fértil para crescerem. Levam alegria, docilidade e abundância aos que a enxergarem e delas se aproximarem.

No orquidário, à meia sombra das flores de jasmim que cobrem o pergolado rente às janelas, os beija-flores e muitos passarinhos amarelos. Eles, numa dança frenética de vai e vem, bebem seus pequenos golinhos de água açucarada. Com a sua pompa majestosa, nas mais lindas posturas do bater das pequenas asinhas. Pairam no ar exibindo suas cores, verde e azul reluzentes, oferecendo um espetáculo mágico de beleza e de pura delicadeza.



Perdeu a crônica mais recente do Otavio? Leia o texto na íntegra clicando aqui: Crônica #60 | Oi mãe, cheguei!!



Logo abaixo, nossos pequenos filhotes de gato preto branco e cinza branco, Kuri e Zoboomafoo, respectivamente, com olhares penetrantes prontos para darem o pulo. Doce ilusão! O relacionamento mútuo, entre os gatos e os passarinhos, prossegue em paz; ficando apenas nas trocas de olhares. Observo o encanto da natureza. Beleza oferecida para todos os nossos sentidos físicos, porém, tendo o poder mágico de transcender para as nossas captações mais sutis. Os bem-te-vis, com seus gritos fortes avisando de suas chegadas, voam para pegarem alguns grãozinhos da ração dos gatos. As maritacas nas suas alegres e típicas assembleias do amanhecer e do entardecer também; as cigarras com seus cantos únicos. Os sabiás, ahh os lindos cantos dos sabiás! Às vezes, um canto e um belo voo dos falcões peregrinos, ou um chamado agudo de uma família de macacos saguizinhos. Além de tudo isso, a presença dos magníficos e majestosos tucanos, na época dos coquinhos do nosso jardim.



A natureza é bela e abundante, as flores então são um espetáculo à parte. A natureza está aí, ali, lá... no seu lar, no seu jardim, ali na esquina ou lá no parque. Basta querer para poder enxergar ou até mesmo sentir. Parece algo muito bobo e muito simples, mas se parar para contemplar uma única florzinha, poderá ser uns minutinhos dedicados inteiramente a você. Aprender a ver com os olhos do coração a sua singela perfeição e apreciar esse momento único. Se entregar de corpo e alma à beleza manifestada é algo transformador, é algo que pode preencher nossos corações de harmonia e delicadeza.


Pode preencher de simplicidade todo o nosso ser, basta estar aberto a isso. As flores estão presentes em toda parte nos oferecendo a sua ternura, a sua beleza, a sua perfeição, o seu colorido, assim como a sua sutil, porém, poderosa energia. A flor também não questiona se ela existe para embelezar um lindo e bem cuidado jardim, ou para sublimar um simples beco numa ruazinha qualquer; se existe para acompanhar uma linda noiva ao altar ou estar num funeral cobrindo o corpo de alguém. Simplesmente cumpre sua função, com plenitude; sendo ela mesma, seja em que circunstância for.


Não deixa de ser flor, apenas é!


E nós o que somos... humanos?! Seria qual a nossa missão?


Assim como as frutas são frutas, as flores são flores, cumprindo plenamente cada qual sua missão, independentemente de qualquer situação adversa; nós humanos precisamos caminhar para sermos cada vez mais humanos, de fato. Assim é o que se é esperado de nós, e assim deveríamos pensar.


Essa é a nossa missão, caminharmos de forma firme e constante, dentro de nossos ciclos e com todas as suas respectivas adversidades; em busca de ser, de sermos um pouquinho melhores a cada dia e, até chegarmos a uma perfeição. Muito longo caminho pela frente ainda, a se perder de vista.


Os ciclos com as estações do ano, com o sol irradiando sua luz e com a noite trazendo sua escuridão. O frio, a neve, a chuva, o vento, as tempestades, o calor ameno ou o calor intenso; tudo compondo e fazendo parte de uma grande dimensão abrangente de um todo maior.

Assim também se compõem nossas vidas: nossas primaveras, nossos verões, nossos outonos e nossos invernos. Cada qual cumprindo com suas missões, dentro dos propósitos a que nos comprometemos.


Estávamos, eu e minha esposa, conversando exatamente sobre a dádiva desse nosso doce quintal, do nosso jardim e de toda a natureza aqui narrada; quando chega nossa filha, alegremente, nos trazendo umas surpresinhas gostosas. Era um dia especial e ela trouxe para todos os “biscoitinhos da sorte”.

A frase que encontrei dentro do meu biscoitinho foi “A vida é feita de ciclo, saiba reconhecê-lo”.

Foi bem oportuno, digo até que numa sincronicidade muito bela pelo que estávamos conversando, e também pelo momento que estávamos vivendo: um ano de vida das crônicas. Um ciclo, sem dúvida, e reconhecemos naquele momento o quanto foi importante e desafiador para cada um de nós.



Comemorando, fizemos uma gravação do neoPod no mesmo lugar onde surgiu, a um ano atrás, o projeto “Crônicas”. Ambiente aconchegante, convidativo e antiestressante; em meio a alegres bate-papos, sempre acompanhados de uma gostosa comidinha: Dondon moeru, o cantinho acolhedor da nossa cativante fogueira.



Confira também esta crônica postada no nosso site: Crônica #57 | Les Misérables