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Crônica #60 | Oi mãe, cheguei!!

Atualizado: há 14 minutos

Divina expressão da vida



Mês de maio, mês das mães!!

É o que logo nos vem à mente. Uma data bastante comemorada, que teve o seu início em 09 de maio de 1.914, mais de um século de existência, portanto.


A maioria das pessoas, pensam nas mães com sentimentos de carinho e de ternura. Faz muito jus, pois podemos atribuir a elas o símbolo de amor e generosidade, atributo intrínseco, próprio das mães. Devemos a ela a gratidão por nos ter concedido a vida, por consequência, gerando em nós o dever de honrá-la, em todos os seus momentos e por toda a sua vida.

Honrar não é apenas respeitar, mas amar, dignificar, assistir na necessidade, cumprir com o dever da piedade filial.


Tendo um olhar absolutamente profundo e Divino em relação à vida, podemos dizer que toda mãe participou do maior mistério do Universo. A criação da vida, uma Centelha Divina se expressando e tomando corpo, através do acolhimento materno. Um dos momentos mais mágico, belo e significante da vida de uma mulher. É grandioso também para os homens que se dispuserem, o privilégio de acompanhar de perto, toda a magia desse milagre.


Lembrei-me de um fato ocorrido, relacionado a quebra-cabeça. Como assim?!

Na primeira gravidez da minha esposa, por recomendação médica foi pedido a ela repouso, evitando logicamente qualquer tipo de esforço. Resultado? Sobre a mesa de jantar cinco mil peças de quebra-cabeça. Estamos falando de uma época em que não existia nem internet, então eram livros e o que sua criatividade pudesse oferecer. Quebra-cabeça parecia ser uma opção divertida e de longa duração.


Realmente cumprimos as ordens do médico. Não apenas ela, mas eu também fiquei grávido, e juntos vivenciamos todo o período gestacional. Tornou-se mamãe!! Singular e sublime momento!! Nasceu então, nossa primeira filhinha. Depois de um ano, ela aparece de novo com quebra-cabeça. Resultado? Segunda filhinha... agora eram duas lindas, muito amadas e abençoadas dádivas divinas. Depois das duas, eu já ia tomando um certo trauma desse joguinho. Em pouco tempo, pela terceira vez, chego em casa e vejo outro conjunto de quebra-cabeça na mesa. Com o coração palpitando, apressado, fui direto e perguntei: “grávida”? Um ar de suspense pairou no ar por uns longos e intermináveis minutos, e de forma brincalhona ela me indaga: “O que você acha”? Nunca a minha mente trabalhou tanto, em tão poucos segundos. Num flash fiz meus cálculos matemáticos, aplicando diferencial, integral, logaritmo, usei todas as leis de probabilidades e estatísticas, conclui: “não pode ser”. A possibilidade de cometer um erro de cálculo em segundos, poderia ser grande. Ufa.... Acertei! Rimos, gargalhamos muito... e a alegria contagiou o lar e as crianças que ali estavam, com carinhas interrogativas. Ela tinha comprado um quebra-cabeça de gatos; como amante dos gatos não resistiu aos belos felinos.



Ser mãe nos dias de hoje, já se tornou uma questão bem resolvida para muitas mulheres.

Vemos muitos casos de jovens convictas, que dizem não quererem ser mães.

O caminhar da sociedade como um todo, as conquistas e os valores priorizados, as convivências em lares desestruturados, as expectativas em relação à vida, as dificuldades que a vida impõe, enfim, somados levaram a não se ter muito mais espaço para filhos. A experiência da maternidade propriamente dita, no plano físico, passou a ser uma experiência optativa. Outras formas de maternidade passaram a coexistir.


Participava de um retiro espiritual, e um dos encontros tinha como objetivo conhecer, mais profundamente, sobre o ser humano. Cada participante se retirava, escolhia um local e precisava escrever sobre o tema “ De onde você veio? ” À beira de um lago e debaixo de uma frondosa árvore, estendi uma esteira de palha e sentei sobre ela. Do meu lado uma garrafinha de água. Na posse de um caderno sem linhas iniciei a minha meditação.


Começo a escrever:

“A vida veio de forma simples, mesmo imersa em toda sua real complexidade; deveria continuar simples como viemos para o mundo, sem roupas, sem preconceitos”... Estava eu agora no meio de muitas pessoas, e parecia ser uma despedida. Não me lembro exatamente como tudo começou, mas eu iria fazer uma viagem e na mochila levaria um caderno de anotação, lápis, borracha, e nada mais. De repente a luz se apaga, adormeci por um longo tempo. Nesse período, eu sonhava com a minha casa e amigos que não sei identificar. Comecei a sentir algo diferente. A comunicação que antes era só mental parecia estar estranha, ouço som abafado e sinto um tipo de calor. Tem algo batendo ritmado dentro de mim, e mais um outro pulsar ainda mais forte. Sinto os meus movimentos num lugar apertado, que vai se tornando cada vez mais apertado. Sinto um balançar forte, algumas vozes mais claras. Sinto pela primeira vez o frio. Pela primeira vez emiti uma voz, chorei, lágrimas escorreram. Desligaram-me.

Fui envolvido por algo áspero e muitos outros sons ouvi.

Senti pela primeira vez uma luz, pela primeira vez um sabor. Pela primeira vez eu vi quem me gerou: Mamãe!! Percebi também, que muitas partes que ainda lembrava se apagaram. Percebi a terceira dimensão, o quarto elemento tempo, e o quinto elemento éter. Esse conjunto todo orbitando confuso. Continuei com as percepções, mas nesse momento paro por aqui.


Vivi ou revivi, sonhei ou desdobrei, voltei ou recordei... não importa muito, a experiência foi única e de muita, muita emoção. Quase me tirou o ar, demorei a me localizar.


Mamãe!!

Voltei aos meus pensamentos e emoções. Muito mistério envolve o nosso despertar aqui nesse plano.

Através da mãe, doadora e mantenedora da vida, a que dá à Luz.

Luz simboliza o Divino, a Sabedoria, o Espírito. A Luz é soberana, dona de si mesma, sendo assim, ela não pode ser dada a ninguém. Assim, o ato da mãe dar à Luz é apresentar o filho à Luz, seria doá-lo à Luz, para através de sua vida ser um servidor do Divino, ser bom, ser uma luz no mundo, ter retidão de caráter, ser uma pessoa do bem. É de muita profundidade esse significado. Quanto mais consciente estiver a mãe, de mais sabedoria será esse processo. De mais base, fortaleza, e estruturada no amor, será a constituição do seu lar.

Não só se restringindo a gerar e dar vida ao filho, a generosidade do coração de uma mãe é capaz de doar sua própria vida a esse filho. Bendita seja, entre as mulheres!


Porém, ser mãe também não é um mar de rosas.



Perdeu a crônica de semana passada? Leia o texto na íntegra clicando aqui: Crônica #59 | 2020: Reflexos de um passado recente



Não é tão fácil quanto parece ser. A maternidade é linda sim, mas muito difícil também. Cobrimos de flores pelo fato soberano da criação da vida. Desde o início da gestação até o nascimento, muitas alterações desconfortáveis acontecem para a mulher. Mas, por ser um período mágico, ela consegue transformá-lo.


Um dos momentos mais emocionantes para minha esposa, foi quando começou a sentir os movimentos do bebê em seu ventre. Contou ser de um sentimento gigante, mágico e inexpressível, impossível de descrevê-lo em palavras. Talvez seja esse o momento em que se estabelece, de fato, uma comunicação concreta de amor e aconchego; onde os corações se conectam num diálogo carinhoso e permanente entre eles. Assim ela compartilhou.


E prosseguindo, sem entrar nos detalhes das dores do parto, o nascimento e o início de uma jornada desconhecida, envolvendo toda uma mudança drástica na rotina. Não entrando também nos detalhes, daquelas que sofrem com a depressão pós-parto, mas lembrando o quão difícil e obscura é essa fase a superar.


A nova rotina implantada se manterá por toda sua vida, se adaptando conforme exigências respectivas de cada fase. E ela firme e cada vez mais forte, se conduzindo no divino papel de mãe. Dificilmente uma mãe consegue cortar o cordão com seu filho, no ato de dar à Luz, ela o acompanhará fisicamente ou com o coração, pelo resto de sua vida. O amor que ela sente pelo filho, é um amor capaz de suportar tudo, seja qual for a situação. Esse processo será contínuo, ser mãe não começa nem termina, se manterá numa constante.


Muitos vão dizer, que não, que tem mães que não amam seus filhos. Ou que elegem seu preferido, renegando o outro, ou que no extremo, os abandonam. Sim, existem as que ignoram o seu dever para com seus filhos.

É muito angustiante uma realidade dentro desse sofrimento, prova penosa que fere seriamente o coração. São questões que exigem um olhar mais profundo para nos trazer respostas plausíveis. Para tudo há uma razão, no momento certo virá um clarear, e o entendimento se fará presente. O julgamento humano poderá dar uma sentença, mas, uma autoridade plena para um julgamento abrangente, se dará fora do nosso plano tridimensional. Aos dois, pai e mãe, caberá a responsabilidade da guarda, da formação de caráter dos filhos, e um dia poderá lhes ser perguntado “Que fizeste do filho confiado à vossa guarda? ”


Em toda história sempre existiram os pais mães, as avós mães, as tias mães, ou mesmo aquelas, que sem nenhum grau de parentesco corporal, aceitaram os filhos em seus corações. Hoje, com toda liberdade que existe, muitos lares são formados por pares de homens ou pares de mulheres. Prevalecem, em comum, os sentimentos de amor, dedicação e generosidade para com os seus filhos.


Mães de coração e alma! Não deram à Luz no plano físico, gerando um corpo, uma matéria.

Mas deram à Luz nos planos sutis do mental, emocional ou mesmo num plano espiritual.


Dar à Luz no mundo mental através das ideias, trazendo novas perspectivas, novas ideias iluminadoras, gerando atitudes onde se encontrarão esperanças, visão de uma vida digna e melhor.


Dar à Luz no plano das emoções, através da geração de sentimentos verdadeiros, nobres, onde o caminho procurado será a elevação desses sentimentos. Ou mesmo num plano maior, gerando sabedoria, virtudes, princípios, visando o crescimento no plano espiritual.


Todos nós, em muitos momentos de nossas vidas, somos chamados a desenvolvermos algum nível de maternidade. São muitos os partos que o mundo necessita, e os realizamos toda vez que geramos princípios, virtudes, valores nobres, proporcionando e colaborando para o crescimento saudável das pessoas ao nosso redor e para o nosso meio, como um todo. São maneiras preciosas de se dar