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Crônica #89 | Qual o seu nome?

Diálogo no metrô.



O que você encontrará nesta crônica:


O que você está fazendo da sua vida? Tantas são as reflexões, e tantos são os valores individuais que determinarão as respostas. Sermos alguém para nós mesmos, ou sermos alguém para alguém. Um ponto comum e presente em nossas vidas. Uma missão, um compromisso intrínseco, enraizado, dentro de cada um de nós. Tudo tem o seu tempo certo, de fase em fase vamos despertando. Entretanto, uma vida sem tempo poderá levar a um futuro em que terá o tempo, sem vida, no entanto. A balança acusará as medidas, evidenciando os resultados. Como está sendo o tempo que se dedica, de fato, à sua verdadeira vida?


I. À espera do metrô.


Era tarde da noite e eu aguardava o metrô. Por um motivo emergencial, foi anunciado que haveria um atraso na linha que eu esperava, com a necessidade de uma breve paralisação.


Essa estação fica sobre uma avenida, e dali podia observá-la em todos os seus detalhes. Eu me debrucei no parapeito, e minha mente começou a transitar pelas imagens captadas.

O trânsito estava calmo, quase livre. Carros particulares, uma viatura policial, uns motociclistas circulavam com suas entregas, cumprindo seu dia de trabalho. Percebi também alguns passageiros no ponto de ônibus, enfrentando cada qual a sua espera. Um persistente pipoqueiro, ainda ao lado do ponto, completando sua renda do dia. Do lugar que eu estava, podia se ter uma ampla visão do local. Olhando para a zona sul, era de se perder de vista o colorido das luzes acesas, realmente uma selva de pedras com todas as suas infindáveis construções, essa magnífica metrópole que não dorme, jamais. Aqui estou, na cidade de São Paulo.


Na marginal Tietê, ainda trafegavam apressadamente, inúmeros caminhões em busca de seus destinos. Do lado oposto da estação, existia um centro de detenção que foi parcialmente demolido, após alguns episódios muito tristes. Um parque agora, ocupa o seu então espaço. Na parte norte da cidade, próxima da serra da Cantareira, raios e trovões anunciavam uma forte chuva. Daí então, talvez justificasse as paralisações da linha do metrô.


A estação estava quase que vazia.


Do outro lado da plataforma, três adolescentes alegremente cantavam, riam alto, e notei algo extraordinário para os dias atuais; não estavam com celulares nas mãos. Eles se integravam de forma natural, como em meus antigos tempos. Um deles acena para mim e correspondi com o mesmo gesto. Jovens, que talvez, estejam mais dentro do chamado ser um ser humano, que do mundo de androides. As composições deles chegaram antes, e então partiram levando a alegria que compartilhavam aqui fora.

O silencio voltou. E eu continuava no aguardo da minha condução.


II. O homem da pasta azul.


Percebi um homem bem-vestido, sentado a pouca distância de mim. Cabisbaixo, estava olhando fixamente para uma pasta azul que segurava em suas mãos. Fui ao encontro dele, questionando se sabia se os problemas eram constantes nessa linha de metrô. Ele, sem levantar o seu olhar afirmou que sim, apenas balançando sua cabeça. Percebi que não queria conversa, talvez pelo cansaço do dia de trabalho. Sentei-me deixando um espaço vazio entre nós. Permaneceu em silêncio, sua linguagem corporal denunciava angústia. Bem longe estavam os seus pensamentos; ali presente apenas o seu corpo físico. Então, vi na sua mão um chaveiro com várias chaves penduradas. De repente, colocou no seu dedo indicador e começou a girar; girava numa intensidade tal que parecia enrolar nas suas voltas as suas dúvidas e pensamentos recorrentes. O seu olhar continuava perdido lá longe, num longínquo que se perdia de vista.

Então resolvi interpelar aquele silêncio, que era rompido apenas pelo barulho das passagens dos carros, sob aquela estação.


- “Essas chaves parecem ser muito importantes para você, não é?” Assim indago.


Ele parecia não ter me ouvido. Então, tirei as minhas chaves da mochila e também comecei a imitar seus movimentos. Pareciam dois jogadores solitários numa disputa de tênis de mesa, num contratempo de som, tentando despertar cada qual a sua atenção.


Num determinado momento ele cessou seu movimento. Reclinou-se no desconfortável assento, levantou os dois braços, e cruzou suas mãos na sua nuca. A pasta azul escorregou e caiu próximo dos seus pés. Não deu importância. Eu me agachei, e a coloquei no assento vazio entre nós.


- “A minha vida está uma droga (disse isso em palavrões)!”

Foram as primeiras palavras que ele anunciou. Pelo menos deu abertura para um diálogo, em meio aos momentos que transpareciam muito angustiantes.


- “Não faz sentido esse sofrimento. Não mereço o que estou passando...”

Percebi que algo traumático tinha invadido a sua mente, mas não perguntei os motivos, e nem ele explicou sua aflição.


 

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III. O valor de uma vida.


E então, comecei assim a falar:

- “Sabe de uma coisa? A gente fica pensando qual é o valor de uma vida. Será que valemos um milhão de reais ou dólares, qual é o seu valor?”


- “Hahahahahha.... ele gargalhou! Meu amigo, se a minha vida valesse 1% do que você falou, estava feliz! Você é otimista demais. Não vale nem os centavos de troco. Sou um produto descartável, nem validade tenho, sabia?” Uma risada sarcástica ecoou na estação.


A risada foi sarcástica, mas ao menos quebrou o gelo dos seus pensamentos sombrios. Era um homem de negócios, então expôs facilmente sua noção sobre valores, e gradativamente ele falou que perdera tudo, até sem carro ele estava. Acusou a política, o sistema financeiro, amigos que havia elegido como verdadeiros, estresse de cidade grande. Deixou de tocar no assunto de família, dos seus sentimentos e paixões, deixou de expressar princípios fundamentais. Compreensível é claro, afinal naquele momento de desabafo, parecia não ser condizente àquela realidade.


- “Concordo com você. Parece que somos pequenos, insignificantes e desprezíveis. O que representa nossa presença nesse grande universo? Só para você ter como referência meu caro amigo: você conhece uma famosa marca de refrigerante, ou uma famosa grife de roupa, mas eles não lhe conhecem. Faz algum sentido lhe dizer isso? Para este mundo, podemos não ser todos especiais, mas somos todos essenciais.”


- “Aonde você quer chegar com isso?”


- “Estamos nessa estação de metrô. Somos seres individuais, mas dependemos muito de todos os muitos outros, do maquinista, dos operadores, dos fornecedores etc., não é assim? Mesmo aqueles que moram longe desta metrópole, que moram em sítios, fazendas, ou em pequenas cidades. Todos dependemos de outras pessoas, dos materiais, da natureza, do sol, da água, enfim... uma longa troca durante toda a nossa vida.”


- “Venha até aqui meu amigo, observe esta cidade. Está vendo aquela luz no céu, lá longe? É um avião comercial que tem alguém pilotando, outro alguém trabalhando, outros viajando a negócios, de férias, ou para rever a família...”


- “Família... já não sei o que é isso, há tempos...”


Ele tira da sua carteira uma foto de sua esposa, bonita, jovem, e com um casal de filhos, tendo como cenário o que parecia ser a Disney.

Nossa conversa foi interrompida com a aproximação da composição. Embarcamos no último carro. Agora sentamos lado a lado, continuamos a nossa conversa.


IV. Os trilhos.


- “Esse trem anda sobre trilhos, e está fundamentalmente dependente deles. Numa eventual necessidade de se transportar para outra cidade, será preciso uma estratégia, uma logística grande para executar a operação. Assim como nos nossos negócios, em que caminhamos sobre os trilhos da vida, paramos em determinadas estações, descemos ou permanecemos dentro. Depender do condutor, depender da situação momentânea, depender de inúmeros fatores, que de certa forma determinarão os resultados a serem colhidos. Porém, uma determinante soberana poderá conduzir os resultados, conforme frequência fortemente emitida; pela nossa mente, nossa vontade, nossa determinação. Assim surgem as ações, após consciente proposição, refletindo, analisando e decidindo com um firme propósito. Processo fundamental no percurso de qualquer caminho.”


Ele fica em silêncio, o anúncio da próxima estação quebra a atenção; e na frenagem aguda dos freios os pensamentos são interrompidos.


- “Entre ser conduzido e ser condutor há uma enorme diferença. Agimos de qual forma? Existem ordens a seguir numa lógica de raciocínio. Não podemos agir sem passar por discernimento, por uma análise, e sem uma proposta definida. Existem ferramentas que esquecemos de utilizar, e uma delas é a prudência. O fato de não ter dado certo em certos contextos, não deve ser tomado como uma inquisição final. É um caminho que indica que pode existir melhores saídas. Soluções adequadas a determinadas situações sempre existirão. Porém, em estado de desespero perdemos contato com o universo das ideias, e naturalmente, caímos nas grandes concepções da poderosa mente coletiva. E assim sendo, seremos fatalmente apenas conduzidos”.


IV. A vida.


- “Tome como exemplo esse metrô em que estamos. No vai e vem do nosso trabalho, a rotina passa a ser praticamente obrigatória. Entretanto, ao abrirmos nossos pensamentos, podemos alterar bruscamente a maneira como encaramos a vida. Boa ou ruim, na graça ou desgraça, na felicidade ou infelicidade. Veja só aquela senhora que está sentada lá. Aparenta um semblante bem triste, seu olhar perdido no infinito, observando pela janela um imenso vazio. Mas ela, por si, carrega uma missão que somente a ela pertence. Será que ela se pergunta sobre sua própria vida?”


O que você está fazendo da sua vida?

O que você fez da sua vida?


E continuei explanando: - “Sermos alguém para nós mesmos, ou sermos alguém para alguém. Isso parece ser comum e presente a todos nós. Uma missão, um compromisso intrínseco, enraizado dentro de cada um de nós. E você meu amigo, está sendo alguém para a sociedade em que vivemos. Tudo tem o seu tempo certo, de fase em fase vamos nos apertando e despertando. Em se falando de tempo, parece que é o que falta a todos no momento. É essencial se saber que uma vida sem tempo, poderá levar a um futuro em que terá o tempo, sem vida, entretanto. A balança acusará as medidas, evidenciando o devido resultado. Tudo tem um preço, um valor, uma importância. Não se precisa encarar a vida como os trilhos desse metrô, pois eles são construídos em paralelos, e jamais se encontram. A nossa vida material e espiritual, precisam estar assim para que nossa composição ande em segurança. Mas haverá um momento em que os trilhos se cruzarão, mesmo estando construídos em paralelos. Isso ocorrerá quando houver um entroncamento, e nesse entroncamento os trilhos quase que se tocarão. Apesar da trepidação e da sensação de perda do equilíbrio, que provoca essa troca de linhas; será no entanto, apenas um momento de transição. Como em nossas vidas e em muitas coisas mais, nossos universos estão em paralelo; e em determinados momentos eles estarão se justapondo, pelos diversos pontos de entroncamentos. Caberá a cada um de nós, estarmos preparados quando da chegada desses inevitáveis momentos de desequilíbrio e trepidação.”


Ele morde os lábios, seu olhar agora fica fixo nos meus. Ouve atentamente e diz:


- “Assim, pelo que você me fala, tudo é possível de se fazer e acontecer. A felicidade não está fora de mim. As conquistas são proporcionais à frequência dos meus esforços, dos meus pensamentos, e da minha determinação.”


- “Sim, acho que você entendeu. Não sei o que contém essa sua pasta, mas parece pesada demais para o seu momento atual, não seria isso?”


- “Então, nesta pasta estão os papéis que era para me separar definitivamente da minha esposa e da minha família, e desse mundo que estava sufocante demais para respirar...” falou pensativo e com um leve sorriso de canto de boca.


- “Era?” Assim perguntei.


E sem esperar por sua resposta, indaguei:


- “Em que estação mesmo você vai descer?”


Interrompida a conversa, e já próximo da estação de desembarque dele, questionei:


- “Se você tivesse uma única chance de fazer uma pergunta ao nosso Pai Criador... que pergunta seria essa?”


Absorto, permaneceu em silêncio por mais alguns momentos. E disse então, com os olhos marejados pelas lágrimas:


- “Não indagaria nada nesse momento. Apenas agradeceria...”

Próximo do seu desembarque, ele me dá um abraço, e nós nos despedimos.


Logo ao sinal de partida da composição, ele do lado de fora, abre sua pasta e me mostra rasgando algumas folhas.

E assim ele se foi, e nem ao menos lembramos de nos apresentar.


Entre incógnitas, suposições e teorias, emergem ainda mais questionamentos sobre nossas vidas e nossas ações. Linhas paralelas entre as ciências, filosofia e espiritualidade, dispostas como as linhas e os trilhos de trem, que apresentam sempre uma direção; levando a um ou mais destinos: destino priorizado, destino escolhido, ou simplesmente a um destino necessário.

Dentre os diversos destinos, entre uma estação e outra, convocando obrigatoriamente a trocar o itinerário. Mudando a nossa direção nos entroncamentos, às vezes sem ao menos sabermos da existência desse paralelo; provocando as indispensáveis ou compulsórias transições. E quando nos damos conta, novos trilhos, novos rumos, e mais uma vez novos entroncamentos surgindo, nos paralelos do nosso caminho. E novamente estaremos à espera da chegada do metrô, solitários ou acompanhados, tristes ou felizes, celebrando ou não as bênçãos, que nem nos damos conta, e que nos são sempre concedidas. Abençoados são os olhos que enxergam e os ouvidos que ouvem. Abençoados são os que reconhecem e expressam a gratidão.

As bênçãos precisam da sua frequência para se manifestarem.

Qual é essa frequência?

Agradeça, simplesmente agradeça!!

 

Esta é uma obra editada sob aspectos do cotidiano, retratando questões comuns do nosso dia a dia. A crônica não tem como objetivo trazer verdades absolutas, e sim reflexões para nossas questões humanas.

 

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