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  • Foto do escritorOtavio Yagima

Crônica #86 | Eu existo!

Atualizado: 16 de ago. de 2023

Vibrando no sentido da vida.



O que você encontrará nesta crônica:


Nesse atual mundo submerso no caos, as infelicidades prevalecem às alegrias. Ansiedades e inseguranças estão no topo das emoções humanas, gerando grandes vazios existenciais. Diante disso, a própria vida perde seu sentido. Em meio a tudo isso, que sentido tem a vida para você? Esse sentido varia em cada fase ou área da sua vida? Encontrar o verdadeiro sentido é um grande desafio, pois nem sempre estamos conscientes ou dispostos a isso. Ligados no piloto automático e sem muito perceber, mais fácil e cômodo fica apenas sobreviver. Como saber qual é o seu propósito de vida?


I. O encontro.


Mês de julho, inverno na cidade de São Paulo. Como voluntários participávamos novamente, de um tradicional festival promovido pela comunidade oriental. Pratos típicos das várias províncias do Japão, exposições, shows, atividades culturais, esportivas etc. O enorme espaço parecia pequeno pelo grande número de visitantes. Uma pequena área cercada por grades, é cuidadosamente reservada, para pessoas idosas e cadeirantes. No último dia do evento, me deparei com uma cena que me trouxe um silêncio reflexivo, contrapondo com a energia irrequieta da multidão que ia e vinha, compondo um cenário agitadamente abarrotado.


Avisto uma senhora com um menino numa cadeira de rodas. Num determinado momento, essa mãe se levanta e vai em busca de suas refeições. Segui atentamente seus passos. Não conseguindo levar consigo duas tigelas de sopa quente, garrafinha de suco, hashis (par de palitos de madeira que substituem os talheres) e guardanapos, fui imediatamente em seu auxílio. Aproximei-me do garoto e coloquei a sopa na sua frente, tirei o hashi do invólucro e os separei, colocando-os cuidadosamente sobre a tigela. O menino, aparentemente de 8 a 9 anos de idade, sorrindo me agradece:

- “A-ri-ga-tô!” (obrigado). Eu retribuo com “iie, dou itashimashite!” (de nada, à sua disposição).


Observei que o garoto usava, sob um casaco de moletom, uma camisa oficial da seleção japonesa de futebol. No seu colo uma pequena toalha e uma outra protegendo o seu peito. Sua fala bem pausada era devido às dificuldades de sua deficiência. Seu olhar sempre fixo no horizonte, e por algumas vezes, olhava para sua mãe quando ela o chamava.


Curvei minha cabeça, como de hábito com os japoneses, e ia me retirando.

Ele toca meu braço e pergunta:

- “Ti-o, o que é a-que-la rou-pa?” apontando uma pessoa vestida de samurai, que transitava perto dali.


- “É um samurai, um guerreiro japonês dos tempos antigos! Está vendo essa sua camiseta? A seleção japonesa de futebol usava, e era conhecida como Samurai Azul. Guerreiro! Você está usando, então também é um samurai!!” Uma deliciosa risada e um sorriso contagiante irradiou daquele menino, naquele momento. Mesmo com todas as suas dificuldades, pega o hashi e começa a saborear o seu udon (delicioso ensopado de macarrão).


Sua mãe parecia ter simpatizado comigo, pois compartilhou os sentimentos de vida com aquela criança. - “Tenho outra filha, esse é o caçula. Um filho carinhoso e amável. Aprendi a amá-lo, e hoje, entendo que ele me ensinou e ensina muitas coisas. Deixou de ser um fardo há muito tempo, somos abençoados apesar de todas as dificuldades que enfrentamos diariamente.”


Quando conseguimos enxergar além desse plano físico, nos dando conta da natureza divina presente no ser, o sofrimento gerado deixa de ser um pesado fardo, e então um tipo de milagre acontece. Abrindo para uma compreensão do fundamento das nossas existências, percebemos que o sofrimento se manifesta na visão a que nos colocamos perante a vida. A realidade perfeita para cada um de nós reside nessas imperfeições, que vão nos proporcionar a busca de uma existência perfeita.

Aceitar a dor faz parte da nossa existência, até pelo fato de muitas vezes, nem ter como eliminá-la definitivamente. Precisamos processá-la, enxergando as inúmeras possibilidades que ali residem como necessidades, e como elementos transformadores.


Mesmo perdendo o ponto de equilíbrio quando tropeçamos em algum problema, outros pontos surgem se fazendo destacar formas diferentes, oferecendo a cada ponto um recurso de decisão. Como um pião que gira a toda velocidade, parecendo perder o equilíbrio e cair com sua incrível inclinação, e que volta naturalmente à posição vertical. Ele cai quando cessa o movimento de rotação. E este movimento é a forma que a vida nos oferece. Cabe a nós mantermos o pião girando, girando e girando.


Não precisamos ser um grande conhecedor da linguagem dos sábios, e nem um grande conhecedor da humanidade, para percebermos que existe uma dinâmica que a Vida se utiliza, para o avanço dos nossos passos. E dentro dessa dinâmica, das inúmeras possibilidades que se apresentam, tudo existirá dentro de um espaço tempo definido, tudo há de se findar um dia.


Vamos deixando nossas marcas em determinados momentos e em determinados lugares, de um modo especial e exclusivo, expressando desta forma nossos mundos particulares.

Se reconhecermos, de maneira profunda, que tudo que nos é visível aos olhos não é eterno, podemos encontrar um ponto onde o equilíbrio da compreensão do sofrimento ou da felicidade, pode gerar uma paz; tão desejada e tão mal conceituada por nossos sentimentos.


Neste nosso mundo, entre risos, crises e máscaras da consciência, a dificuldade de visão e aceitação nos coloca em constantes estados de indecisões, situações de dilemas, de dúvidas e enfrentamentos.

A soma de todos os momentos bem vividos de nossas vidas, de alegrias ou de tristezas, de dor ou de angústia, se expressa numa métrica, capacitando e medindo nossas forças internas.


II. O sentido da vida.


E aquela mãe diz que o seu caçula a fez acordar para a vida. Que no início se revoltara, mas que o implacável tempo a convencera, de que esbravejar não era a solução. Passou por um processo penoso de sofrimento e angústia, e que depois de muita convivência com aquela criança, começou a sentir que a vida ia além do que os seus olhos lhe mostravam, e que o coração começou a lhe falar. E então percebeu que não deveria apenas sobreviver ou desfrutar da vida, mas sim dar um sentido a ela.

Com um largo sorriso no rosto, afirma que após muitas diferentes fases vividas, após muitos processos de nascer e renascer nas suas próprias crenças, hoje ela acredita que a vida vale muito a pena.


Qual é o sentido da vida?

Seria aquilo que faz a vida valer a pena?


Temos grandes estudiosos que se dedicaram e pesquisaram sobre o sentido da vida, mergulhando em suas reflexões. Talvez uma das grandes referências seja Viktor Frankl (1905-1997), psiquiatra, neurologista e professor da Universidade de Viena, autor do conhecido livro “Em Busca de Sentido”.

Considerado também como o pai da Logoterapia ou Análise Existencial: a terapia do sentido.

De modo simplista, pode-se dizer que é focada na existência e na busca pelo sentido da vida, auxiliando na superação dos seus dilemas, crises e das questões existenciais.


Viktor Frankl diz que não existe um sentido único e universal, que sirva para todos igualmente. Não existe uma resposta única, que possa definir o sentido da vida. Ele nos exemplifica, metaforicamente, perguntando a um mestre do xadrez sobre qual é a melhor, ou a grande jogada que existe num jogo. A resposta, obviamente, será que depende de cada jogo, que dependerá de como as peças estarão organizadas no tabuleiro. Portanto, não existe uma única grande jogada, e sim infinitas jogadas dentro das infinitas possibilidades de arranjos, que se movimentam conforme as peças escolhidas.


A vida é diferente para cada um. Existe uma espinha dorsal onde está inserida a evolução, igualmente a todos. Porém, como num tabuleiro de xadrez, as escolhas das peças e seus movimentos são individuais, e vão definindo os caminhos a serem trilhados.


Tudo, nas nossas vidas, necessita ter um direcionamento.

Não havendo nenhum norte, a vida pode se perder no caos, onde facilmente se esbarra em infelicidades, desespero, ansiedades e inseguranças. Sem direção somos arremessados de um lado para outro, pelas fases que vem e vão, fáceis ou mais difíceis. Podendo ser gerados momentos de grande vazio existencial, onde nada faz sentido, ou não se encontra sentido para o que se está fazendo.


Você já se sentiu assim?


Que sentido tem a vida para você?

Esse sentido varia em cada fase, ou varia nas diferentes áreas da sua vida?

Encontrar o sentido de cada circunstância, de cada momento, de cada fase da nossa vida, é um grande desafio. Pois nem sempre estamos conscientes ou dispostos a isso. Muitas vezes, estamos ligados a um piloto automático, usufruindo de todas as comodidades; ficando mais fácil apenas sobreviver, deixando-se levar pela vida.


 

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III. Buscando um propósito.


No entanto, chegará o dia em que entenderemos que não só de sentidos fragmentados necessitamos, e sim de um sentido maior. Aquele propósito que justifica a vida como um todo, que caminhará conosco até o nosso último suspiro, findando conosco de forma digna e com paz de espírito.


O ser humano é dotado de tremendo potencial, tanto como benfeitor quanto como malfeitor. Portanto, não havendo um propósito correto, firme e definido pode ser arrastado, seja para um crescimento ou para um profundo abismo. Muitas vezes na beira do abismo, as dificuldades passam a se mostrar maiores que a própria vida. Esse é um ponto de muito risco e perigo.


Então nos perguntamos: Como saber qual é o meu propósito de vida?

E então, paralelamente, outra pergunta surge como fundamental: A Mãe Natureza que nos trouxe a este mundo, o que Ela espera de nós seres humanos?


Essas duas questões, estão intrinsecamente, inseridas uma na outra.

Na verdade, a nossa Mãe Natureza já respondeu e já definiu, sobre o verdadeiro propósito da vida de cada um de nós. É tão simples e tão complexo ao mesmo tempo, que causa perplexidade.

É pura e simplesmente cumprir o nosso papel como seres humanos, sendo verdadeiramente humanos, com valores, virtudes e sabedoria. Esse ápice é único, e está ligado à espinha dorsal evolução, comum a todos nós. O caminho da conquista deste ápice está no livre arbítrio de cada um. As prioridades são individuais e portanto, cada qual com o tempo de chegada respectivamente ligado às suas escolhas, e às suas inclinações.


Podemos iniciar nosso processo consciente de propósito, estabelecendo um valor, e logicamente que no campo do ser. Se escolhermos a justiça, o respeito ou a fraternidade, por exemplo, eles deverão estar presentes em todos os nossos atos, acompanhando todos os passos de nossos dias.

Tendo como objetivo a construção de um ser humano justo e fraterno, fica claro fazer a escolha certa dos elementos para tal. Assim vamos caminhando, e nos capacitando a cada dia e a cada experiência.


- “Ahh ti-o... fa-la da len-da da tar-ta-ru-ga, gos-to mui-to de-la.”

- “Urashima Taro?! Vou lhe contar sim!”


Compartilhando com eles aqueles momentos únicos, não senti o tempo passar.

O garoto, dependente de cadeira de rodas e de sua mãe, parece dar o máximo de si. E a sua vida acontece, dentro e apesar de todos os limites, impostos pela sua condição.

Vivendo em plenitude o momento presente, compenetrado e feliz a ouvir as histórias das lendas japonesas. E ao seu lado, a mãe com semblante paciente e feliz, parece imune a aborrecimentos, vivendo uma fase mais tranquila de compreensão e aceitação.


- “Não penso muito num futuro distante, nada sabemos do que pode acontecer amanhã.” Assim fala a mãe. - “Sei que tenho em minhas mãos um tesouro de muito amor, com ele aprendi a ter força, fé e esperança.” Diante de autênticos sorrisos, me despeço dos dois. Apesar do curto período, me fez sentir e lembrar do propósito de nossas vidas.


A vida neste plano físico é curta e, indiscutivelmente, vai findar em algum momento. Somos dotados de consciência e arbítrio, que nos possibilita a compreensão dessa nossa consciência, e da espiritualidade a que todos temos, e que pedem para serem lembradas e desenvolvidas.


Coloquemos a consciência nesse agora, dentro deste momento que estamos vivendo, nos alinhando com um nobre propósito de vida. Tenhamos coragem para fazermos a diferença, não somente para nós mesmos, mas para as pessoas que passam por nós, e para este mundo, que espera façamos dele um lugar melhor para todos viverem em harmonia. Sejamos sempre fatores de soma e não de subtração.


Ação, movimento, vontade e esforço, fortalecendo o processo para o desempenho da nossa finalidade existencial.


Tudo começa com um propósito, e o fim é, na plenitude da condição humana nos tornarmos verdadeiramente seres humanos, virtuosos em valores e um pouco mais ricos em sabedoria.


Qual é o propósito que você já tem, ou almeja nesta vida?


 

Esta é uma obra editada sob aspectos do cotidiano, retratando questões comuns do nosso dia a dia. A crônica não tem como objetivo trazer verdades absolutas, e sim reflexões para nossas questões humanas.

 

Recado da redação


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Confira a última crônica da nossa coleção - Crônica #85 | Eterno aprendiz

 

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