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Crônica #94 | Ansiedade sem transtorno?

Sob o manto da incerteza.



O que você encontrará nesta crônica:


Estamos diante de um mundo que não para e nos intimida a seguir o seu ritmo, demasiadamente agitado e estressante. Pensamentos acelerados, impaciência, distúrbios da mente e emoções afetando nosso sistema energético, alterando-os. Nunca se observou tantos transtornos de ansiedade, doenças autoimunes, depressão, suicídios. Não há saúde diante de gigantes consumidores de energia vital. Estamos na era da ansiedade descontrolada? Com uma visão extremista, talvez estejamos à beira de um colapso. O que estamos fazendo de nossas vidas? Onde está você neste meio todo? Como vai sua vida?


I. Um dia fora do comum.


Dias de intenso calor assolou os nossos últimos tempos. Uma faringite me provocou febre e fortes dores na garganta. Por precaução, resolvi então buscar ajuda no pronto socorro do hospital. A partir desse momento eu me encontrei com um fator chamado tempo de espera. Uma espera que me fez refém de uma esfera de muitos pensamentos, a orbitarem insistentemente em minha volta.


Na entrada retirei uma senha de atendimento; e logicamente precisei respeitar a ordem de chamada. Justo é, pela presença de outros enfermos que também aguardavam pacientemente sua vez. Nessa senha então fiquei marcado e resumido, simplesmente em uma letra seguida por um número. Passei a me sentir como um objeto classificatório, e o meu direcionamento estava voltado num monitor de chamada. Pela ordem eu era o quinto na fila de espera. Agora, a minha mente estava conectada com o som que o monitor emitia a cada chamada; e a visão de todos se dirigiam a ela.


O tempo ficou confuso diante das várias especialidades médicas. Entretanto, pelo ótimo atendimento da unidade, logo a minha senha apareceu. Fui direcionado à sala 2, das 4 que existiam. Numa triagem simples, a enfermeira então me marcou com uma fita no braço; com nome e agora mais outra classificação contendo um código de barras. Por ser alérgico a um determinado medicamento recebi outra pulseira vermelha, classificação por cor. Agora estou conhecido com letra, código de barras e bracelete vermelho.


Busquei uma acomodação longe das pessoas que ali estavam, e pude observar o movimento de idas e vindas de profissionais vestidos de verde e azul, identificando-se nelas suas funções. Havia também seguranças uniformizados, e agentes de limpeza com uniforme um pouco mais alegre. Não indicava um movimento caótico, uma mãe com duas crianças chorando, uma senhora numa cadeiras de rodas, um jovem com braço imobilizado, e uma jovem com dificuldade de respiração. Lá fora uma ambulância se aproxima e um paciente entra de maca por uma porta lateral, isolada da entrada principal.


De repente, entra uma jovem amparada ao que parecia ser sua mãe. Ela estava pálida, com respiração acelerada, corpo rígido e curvado, suor excessivo, semblante de muito sofrimento, desesperada parecendo que ia desmaiar. Prontamente colocada numa cadeira de rodas, foi conduzida à sala de triagem.


Logo em seguida, entra um senhor nervoso e preocupado, passando um olhar rápido por todo ambiente. Não encontrando quem procurava, sentou-se próximo a mim. Olhou para seu relógio, puxou uma longa respiração, como que querendo se recompor do desequilíbrio que se encontrava. Procurando uma posição para melhor respirar, recostou-se na cadeira e fechou seus olhos. Percebi sua agonia e perguntei se queria um copo de água. Assentiu com um leve sorriso e então me levantei para pegar a água. Agradeceu, tomou um gole, calado me olhou. Talvez tenha se sentido acolhido, diz então que estavam indo à casa de parentes e sua filha começou a passar muito mal. Sentindo-se impotente, assustado, nervoso e sem saber o que fazer, ele decidiu pelo socorro no hospital.


Ao que perguntei do problema ele respondeu dizendo não saber bem o que era, mas que sua esposa afirmava ser uma intensa crise de ansiedade, de pânico.


II. Mentes no tormento.


O panorama mundial se mostra muito agitado, com tudo acontecendo de forma bastante exacerbada. Impera nele o estresse, as disputas, a corrida ao ter. Se manifestam então nas pessoas os pensamentos acelerados, a impaciência, a intolerância, a ansiedade comprometendo de maneira progressiva a saúde como um todo.


Nesse campo cada vez mais denso, misturado aos nossos desequilíbrios emocionais, processa a oxidação de nossos corpos. Os distúrbios da mente e das emoções abrem o nosso sistema energético, alterando-os e se manifestando em inúmeras doenças, de todo tipo e natureza.


Questões profundas de relacionamentos, muitas vezes abusivos, dificuldade financeira, desemprego, medos de todos os tipos, estresse ao extremo. Nunca se observou tantas doenças autoimunes, depressão, ansiedade, pânico, e muitas vezes culminando em suicídios. Enfim, não há saúde que se mantenha diante de gigantes consumidores de energia vital.


O pai um pouco mais calmo, fala da sua família. Dos seus três filhos, tem dificuldades no relacionamento com dois deles. Afirma que toda família é muito agitada, discutem por qualquer coisa e dificilmente chegam a um acordo. A filha que está ali é a caçula dos irmãos, e a define como nervosa e impaciente. Como que falando consigo mesmo, franze a testa e se diz muito intolerante com tudo, e então se culpa pelos problemas dos filhos.


Estresse e ansiedade estão sempre juntos. São dois elementos presentes na vida de qualquer pessoa, não há quem não os tenham sentido. Em menor ou maior grau, ninguém está imune a eles.


A ansiedade, tão presente e tão inerente ao ser humano, é fundamental para nossas vidas. Pode ser benéfica ou perigosa, o perigo cabe no seu tamanho e no quanto ela se apossou da mente, interferindo negativamente no cotidiano da pessoa. A ansiedade que faz disparar alertas, em situações de perigos não reais, pode se agigantar em problemas. Estar atento é fundamental para perceber a necessidade de acompanhamento profissional. Terapias e psicoterapias são sempre bem-vindas e recomendáveis, otimizando nossos processos de crescimento e autoconhecimento.


Ligada ao fator tempo de espera, a ansiedade geralmente se associa a algo que está por vir, a algo que está mais adiante, a uma expectativa, a alguma coisa que está no futuro. Como pode também não estar associada ao tempo, e sim a alguma coisa no outro ou em nós mesmos, ou até então na própria vida. Traz consigo sentimentos de apreensão, insegurança, medo, preocupação excessiva, e então não sobra espaço para um relaxar. Expressam de formas e maneiras diferentes, gerando sintomas distintos em cada pessoa. Essas respostas naturais do nosso corpo aos diferentes fatores de estresse, podem ser entendidas como ansiedade. Multifatoriais são as causas que compõem os seus quadros, segundo estudos da Neurociência e das Ciências do comportamento. Em variados graus ela causa muito sofrimento para milhões de pessoas, neste vasto mundo que habitamos.


Estamos vivendo a era da ansiedade descontrolada?

Tendo uma visão extremista, talvez estejamos à beira de um colapso, onde muito pouco se tem de uma mente em equilíbrio e em paz, elementos essenciais e necessários para uma vida saudável.

 

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III. Ansiedade.


Na sua etimologia, ansiedade vem do latim angere que significa apertar, sufocar. E tem a mesma raiz da palavra angústia. Portanto, se a ansiedade chegar a um nível patológico ela sufocará, será a própria angústia, a própria aflição, o próprio martírio.


Afinal, o que causa a ansiedade?

Para todo o efeito há uma causa, assim também temos os fatores causais para todos os quadros ansiosos. Existem fatores biológicos, ambientais, e aqueles que estão enraizados nas nossas histórias de vida. Portanto, um quadro de ansiedade exacerbada ou tóxica, surge da complexidade de nossas vidas, onde há a soma e mistura desses fatores.

Há os que já nascem com uma certa predisposição, sua sensibilidade às ameaças é aumentada; comprometendo de maneira diferente suas estruturas cerebrais.


Diante do perigo real ou não, substâncias químicas são liberadas pela super ativação da amígdala cerebral, desencadeando num conjunto maior, reações corporais do medo. Perde-se a harmonia do equilíbrio, surgindo os inúmeros transtornos ansiosos. A inibição e controle das super ativações da amígdala, muitas vezes necessitam de tratamento medicamentoso. Somos seres únicos e diferentes uns dos outros, então cada caso exigirá sua devida atenção.


O pai se levanta e tenta se informar sobre sua filha.

Sem ânimo, senta-se novamente e se põe a questionar onde errou com seus filhos, que são tão difíceis, e agora, sua filha naquela situação.


Relata sua infância muito difícil, com seus pais extremamente rígidos e preocupados com tudo. Disse se parecer muito com eles. Foi muito punido sem entender o porquê. Teve tantas privações, tantos traumas, bullying na escola, que vivia sempre com medo e com muitas dúvidas. Hoje vive angustiado e preocupado com o futuro dos seus filhos.


Nossas famílias acabam se tornando modelos para nós. Muitas vezes, nem nos damos conta do quanto temos enraizados em nós, os padrões de vida deles. Hábitos, crenças, cultura ansiosa... raízes do passado. Que hoje porém, podem ser alteradas e superadas, não havendo necessidade de ficarmos presos lá; podemos sim nos libertar.


Pessoas desarmonizadas e em conflitos, são muito facilmente, envolvidas em tramas e transtornos. Com visão iludida e limitada pela ansiedade, geram expectativas e se entregam na busca desenfreada do que projetam como felicidade e sonhos de consumo.


Mentes apegadas a pessoas, lugares, objetos, cargos, status, fatores que atormentam o medo da perda ou rompimento. O transtorno de ansiedade de separação se apodera sufocando a mente já perturbada.


IV. Medo, raiz de transtornos.


São muitas as ocasiões em que somos tomados por preocupações excessivas, os nervos à flor da pele irritando, tensionando os músculos, causando insônia e inquietação. Instala-se a exaustão pelo cansaço físico e mental. Esse transtorno de ansiedade generalizada é fator de muito desgaste e profundos sofrimentos.


O medo está na raiz das inúmeras fobias. A sensação de medo excessivo e irracional, mesmo na ausência de um perigo real, as pessoas são paralisadas perante a aparição de baratas, aranhas, insetos em geral. Fobias de altura, avião, elevador, enfim são muitos os tipos existentes. Costumam ser persistentes, se repetindo toda vez que a pessoa se depara com a situação, gerando automaticamente um grande estresse. Fobia social se expressa no medo de se expor ou ser criticada pelos outros, faz a pessoa se reclusar cada vez mais, evidenciando sua grande dificuldade.


Hoje, síndrome de pânico se tornou comum, talvez o mais paralisante dos transtornos. Crise de ansiedade aguda, ataque súbito e inesperado, desencadeada por algum fator ou simplesmente do nada, às vezes surgindo em situações de calma. Taquicardia, nervosismo, falta de ar, calafrio, tremor, tontura, medo e desespero intensos que podem durar por uns trinta minutos, levando a uma extrema sensação de morte.


Processos de doenças que necessitam de força para o seu enfrentamento, geram o medo da não cura, da piora, da falta de recursos, o pavor da morte eleva o nível da ansiedade, se agravando na razão direta às suas dificuldades.

A busca de alívio das emoções através do uso de drogas, álcool, medicamentos, cafeína, e muitas vezes complicando mais o seu quadro emocional pelas substâncias absorvidas.


O que estamos fazendo de nossas vidas?


Por sermos livres, racionais e emocionais para determinarmos nossas próprias escolhas, construímos consequentemente nossa própria realidade. Somos responsáveis por aquilo que fazemos de nós mesmos. Muitos porém, se recusam a ser o que são, recusam a se aceitarem, e se moldam para atender às expectativas dos outros ou da sociedade, criando um completo falso eu. Tentando se encaixar num molde que não lhe cabe, sua ansiedade estará sempre lhe devolvendo em inúmeros transtornos. Poderá ter a ilusão de enganar qualquer pessoa, mas na verdade estará enganando tão somente a si próprio, incorporando assim insatisfações e todos os tipos de falsa felicidade.

Dentre os seres de toda nossa Natureza, apenas o homem se recusa a ser o que é.


Os seus desejos e objetivos são realmente seus?

Uma vez realizados serão de satisfação temporária ou duradoura?


O sentimento de paz brotará, ao aprendermos a encontrar satisfação e alegria nas coisas significativas, que geralmente estão nas coisas simples. Nos alinharmos com nosso verdadeiro propósito e valores torna-se imprescindível, nos conhecermos melhor para termos aquela ansiedade saudável a nos acompanhar. Mais contato com a natureza, com a luz solar, nos exercitando também fisicamente, são fontes de energias dinâmicas. Amigos verdadeiros são preciosas dádivas em nossas vidas.


O nosso inconsciente profundo guarda e dá morada aos nossos dramas mais íntimos, de onde surgem os muitos distúrbios atormentadores. Com o devido auxílio de profissionais, esses tormentos podem ser conduzidos e liberados de suas teias sempre embaraçosas. E então refletidos, racionalizados e encarados de maneira positiva. E mesmo que lentamente, poderá ir construindo um caminho interior mais equilibrado e compreendido.

Problemas sempre existirão, aprendizados também. Reconhecer e respeitar o nosso ritmo alinhado com o ritmo natural da Vida, talvez possa nos trazer coerência no entendimento. Fazer do momento presente um bem viver, dando o nosso melhor, para que a nossa alma entenda que o que acontecerá amanhã será apenas consequência de um dia bem vivido aqui, agora. E mediante a essa consciência não haverá arrependimentos, e então sem medo a ansiedade se acalmará naturalmente.


A conquista de um bem-estar interior, a compaixão, a caridade e o amor ao próximo e para si mesmo, são caminhos nos induzindo à calma, à alegria e satisfação de viver. A descoberta do nosso nobre sentido existencial acontecerá, quando da lucidez e consciência das nossas próprias responsabilidades.


Um silêncio, que se fazia por alguns minutos, foi interrompido pela chamada do monitor.

Era chegada a minha vez de ser atendido.

Eu me levantei observando o pai, os movimentos das suas mãos rodando um boné azul, bordado com um trevo de quatro folhas. Ironia ou não, sinal de sorte estava a girar nas suas mãos.

Seu olhar denunciava ainda a ansiedade.


Essa tormenta que está no tempo de espera, ausentando o presente, à espera do tempo.

 

Esta é uma obra editada sob aspectos do cotidiano, retratando questões comuns do nosso dia a dia. A crônica não tem como objetivo trazer verdades absolutas, e sim reflexões para nossas questões humanas.

 

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