Crítica | Stranger Things: Histórias de 85

Stranger Things: Histórias de 85 renova sua segunda temporada ao explorar novos medos sem depender apenas do Mundo Invertido

(Foto: Divulgação)
Existe uma ironia curiosa em Stranger Things: Histórias de 85. A série animada chegou tarde demais para muita gente perceber o quanto ela merece existir. Enquanto a franquia principal já se despediu, esse derivado continua expandindo Hawkins de um jeito leve, criativo e surpreendentemente respeitoso com os personagens que acompanhamos por tantos anos. A segunda temporada prova que ainda havia espaço para contar histórias nesse universo sem repetir a mesma fórmula.
Desta vez, a história avança apenas um mês e leva o grupo para o período do Dia dos Namorados. O cenário rende momentos adoráveis entre Mike e Eleven, mas quem realmente rouba a cena é a dupla formada por Lucas e Max, que ganha uma dinâmica mais divertida e cheia de pequenas provocações. A série entende que essas relações sempre foram parte essencial de Stranger Things e sabe equilibrar romance, amizade e humor sem deixar nenhum deles dominar a narrativa.

(Foto: Divulgação)
O maior acerto, porém, está na escolha de afastar o foco do Mundo Invertido. Em vez de colocar outro monstro gigantesco para perseguir as crianças, os novos episódios apostam em mistérios diferentes, como flores luminosas que drenam energia e a lenda do fantasma conhecido como Bill Sanguinário. São ameaças que dialogam mais com medos infantis do que com grandes batalhas sobrenaturais, e isso devolve à série uma sensação de descoberta que fazia falta.
Visualmente, a animação também cresce. As cores vibrantes, os efeitos de luz das flores e as sequências sobrenaturais aproveitam muito bem o formato animado para criar cenas que dificilmente funcionariam da mesma forma no live-action. Existe uma liberdade criativa aqui que faz Hawkins parecer ainda mais misteriosa do que já conhecíamos.

(Foto: Divulgação)
Nem todos os personagens recebem o mesmo cuidado. Dustin continua sendo um dos grandes destaques, especialmente ao lado do novo personagem Charlie, formando uma dupla engraçada sem tentar copiar a química clássica entre Dustin e Steve. Já Will acaba ficando apagado durante boa parte da temporada, e sua jornada parece menos interessante do que o restante do grupo.
No conjunto, Stranger Things: Histórias de 85 encontra uma identidade própria justamente quando decide não depender exclusivamente da mitologia principal da franquia. Ao explorar novos monstros, novas lendas urbanas e conflitos mais cotidianos, a série lembra que Hawkins sempre foi mais do que o Mundo Invertido. Talvez esse tenha sido o frescor que Stranger Things precisava há mais tempo do que imaginávamos.
Opinião da Redação: "O que mais me conquistou nessa temporada foi perceber que ela não tenta competir com a série principal. Em vez de correr atrás de Demogorgons ou grandes vilões, prefere brincar com fantasmas, lendas da cidade e aqueles medos bobos que parecem enormes quando se é criança. No fim, essa escolha faz Hawkins voltar a parecer um lugar cheio de segredos, e não apenas o cenário de mais uma batalha contra o Mundo Invertido."
Será que Hawkins funciona melhor quando apresenta novos mistérios ou o Mundo Invertido continua sendo o maior trunfo de Stranger Things?
Ficha Técnica
Nome: Stranger Things: Histórias de 85 – 2ª temporada
Tipo: Série
Onde assistir: Netflix
Categoria: Animação / Aventura / Sobrenatural
Duração: 8 episódios
Nota: 4/5


