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Crítica | Ponto Sem Retorno

  • Foto do escritor: Redação neonews
    Redação neonews
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Ponto Sem Retorno mistura ficção científica, faroeste e drama geracional, mas deixa suas melhores ideias escaparem entre longos momentos de estagnação


Ponto Sem Retorno
Ponto Sem Retorno

(Foto: Divulgação)


Ridley Scott sempre parece encontrar um jeito de voltar à ficção científica, mesmo quando já conquistou praticamente tudo dentro do gênero. Em Ponto Sem Retorno, ele abandona o espetáculo constante para apostar em um mundo devastado por uma pandemia, onde sobreviver deixou de ser um desafio físico e virou uma disputa entre esperança e resignação. É uma premissa poderosa, daquelas que fazem imaginar dezenas de caminhos possíveis. A frustração nasce justamente porque o filme parece enxergar esse potencial, mas demora demais para abraçá-lo.


A história acompanha Hig, vivido por Jacob Elordi, um mecânico que divide um antigo aeroporto com Bangley, interpretado por Josh Brolin. Enquanto um sonha em levantar voo em busca de outras comunidades, o outro acredita que qualquer passo além da cerca pode significar a morte. O conflito entre os dois nunca é apenas sobre segurança. É sobre duas formas completamente diferentes de encarar o fim do mundo, e é nesse embate que o filme encontra sua identidade.


Ponto Sem Retorno
Ponto Sem Retorno

(Foto: Divulgação)


O curioso é que Scott parece muito mais interessado em sugerir essas ideias do que em explorá-las. Boa parte da narrativa é construída em um ritmo quase contemplativo, mas sem aproveitar plenamente o silêncio, a solidão ou a intimidade que esse tipo de história pede. Em vez de transformar o vazio em tensão, o filme frequentemente estaciona em longos trechos que parecem existir apenas para preparar algo maior.


Quando finalmente chega lá, tudo ganha outra vida. Existe uma sequência no terceiro ato que parece pertencer a outro filme. De repente, a câmera ganha energia, a ação conversa com a reflexão filosófica e Scott lembra por que continua sendo um dos grandes nomes do cinema. São poucos minutos, mas suficientes para deixar claro que havia uma obra muito mais ousada escondida ali desde o começo.


Visualmente, o diretor continua encontrando beleza onde quase não resta humanidade. A fotografia de Erik Messerschmidt transforma hangares abandonados, pistas cobertas pelo tempo e paisagens vazias em imagens melancólicas sem precisar exagerar na destruição. Jacob Elordi segura bem o protagonismo com uma interpretação contida, enquanto Josh Brolin entrega a rigidez de alguém que já sobreviveu tempo demais para acreditar em recomeços.


Ponto Sem Retorno
Ponto Sem Retorno

(Foto: Divulgação)


Também chama atenção a maneira como o filme flerta com o faroeste. Mesmo cercado por aviões, tecnologia e um cenário pós-pandêmico, a sensação é de estar acompanhando dois homens isolados em uma fronteira esquecida, protegendo seu território enquanto tentam decidir se ainda vale a pena confiar no desconhecido. Essa mistura de gêneros funciona muito melhor do que a trama principal em vários momentos.


Ponto Sem Retorno parece viver preso na mesma dúvida que seus personagens enfrentam. Ele quer olhar para frente, mas continua voltando para um lugar confortável demais. O resultado não chega a decepcionar completamente, porque há talento sobrando em cena, mas fica difícil ignorar a impressão de que as melhores partes do filme aparecem apenas como pequenas rachaduras por onde escapa a versão realmente fascinante dessa história.



Opinião da Redação: "O que mais ficou comigo foi a sensação de estar assistindo a um filme que nunca se entrega por completo. Durante a sessão, várias vezes pensei "agora vai". Em alguns momentos ele realmente vai, só que logo puxa o freio de novo. A impressão que fica é a de uma obra cheia de boas ideias, imagens marcantes e um universo interessante, mas que insiste em voltar para um caminho seguro justamente quando parece prestes a alcançar algo muito maior."


Quando um filme mostra que tem potencial para ser extraordinário, é mais frustrante vê-lo desperdiçar essas ideias do que assistir a uma obra apenas mediana desde o começo?




Ficha Técnica


Nome: Ponto Sem Retorno

Tipo: Filme

Onde assistir: Disney+

Categoria: Ficção científica / Drama

Duração: 1h e 58min



Nota: 3,5/5



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