Crítica | Coyote vs. Acme
- Redação neonews

- há 9 horas
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Entre a criatividade dos desenhos clássicos e uma aventura de carne e osso, o filme Coyote vs. Acme encontra humor, coração e uma inesperada história sobre enfrentar gigantes que quase perdemos e que os Looney Tunes mereciam

(Foto: Divulgação)
Existe uma ironia difícil de ignorar em Coyote vs. Acme. O filme acompanha Wile E. Coyote, um personagem acostumado a ser vítima das próprias armadilhas, tentando enfrentar judicialmente a gigantesca empresa responsável por fabricar os produtos que tantas vezes deram errado. Fora das telas, porém, a própria produção passou por uma situação parecida: o longa quase foi engavetado pela Warner Bros. Discovery antes de encontrar uma nova oportunidade de chegar ao público. Essa história dos bastidores adiciona um significado especial à obra, mas o mais importante é que Coyote vs. Acme não precisa dela para funcionar. O filme se sustenta pela criatividade e pelo carinho com que resgata um dos personagens mais icônicos dos Looney Tunes.
Dirigido por Dave Green, o longa encontra seu maior acerto justamente na mistura entre animação e live-action. Diferente de produções que utilizam personagens digitais apenas como complemento dos atores humanos, aqui os Looney Tunes parecem realmente pertencer àquele mundo. O diretor explora o absurdo visual característico das animações e encontra maneiras inteligentes de transportar essa lógica para ambientes reais. Estradas que se comportam como desenhos, objetos que desafiam a física e situações impossíveis ganham vida sem parecerem deslocados. O resultado é uma fusão que supera boa parte das tentativas anteriores de colocar esses personagens ao lado de seres humanos.

(Foto: Divulgação)
O roteiro, que conta com a participação criativa de James Gunn, também entende algo fundamental sobre Wile E. Coyote: sua graça nunca esteve apenas no fato de ele perder. Existe uma humanidade curiosa naquele personagem que tenta novamente, mesmo depois de fracassar inúmeras vezes. Ao transformar essa persistência em uma história sobre justiça, amizade e determinação, o filme consegue criar uma conexão emocional inesperada. A relação entre o Coyote e o Papa-Léguas continua sendo o coração da produção, mas agora existe uma camada sentimental que faz o público torcer por aquele azarado personagem. É difícil não sentir carinho por alguém que simplesmente se recusa a desistir.
No elenco humano, Will Forte assume bem o papel de contraponto à loucura dos desenhos. Lana Condor também funciona dentro dessa dinâmica, enquanto John Cena aproveita o exagero necessário para interpretar um personagem que precisa sobreviver ao caos dos Looney Tunes. Ainda assim, fica evidente que os momentos mais inspirados acontecem quando os personagens animados estão no centro da ação. As cenas exclusivamente humanas perdem um pouco da energia e da imaginação presentes quando Wile E. Coyote entra em cena. É uma limitação comum em produções que misturam animação e live-action, mas aqui ela fica ainda mais evidente justamente porque o restante do filme é tão inventivo.
Tecnicamente, Coyote vs. Acme entende que a fotografia precisa funcionar como uma ponte entre dois universos. Os cenários reais são construídos de maneira suficientemente natural para que a presença dos personagens cartunescos pareça ainda mais absurda e divertida. A trilha sonora acompanha essa proposta sem tentar roubar a cena, contribuindo para o ritmo de aventura e para os momentos mais emocionais. Mas é no trabalho de animação e efeitos visuais que o filme realmente brilha. Cada gag visual depende de timing, movimento e surpresa, e a equipe consegue reproduzir boa parte da lógica física dos desenhos clássicos sem transformar tudo em uma simples sequência de efeitos digitais.

(Foto: Divulgação)
Mais do que uma comédia para fãs nostálgicos, Coyote vs. Acme é uma história sobre dois perdedores tentando provar que não estão destinados a continuar perdendo. Existe uma sensação genuinamente gostosa em acompanhar Wile E. Coyote finalmente tendo a chance de enfrentar aquilo que sempre esteve contra ele. O filme sabe quando apostar na piada absurda e quando diminuir o ritmo para deixar a relação entre os personagens respirar. Mesmo sendo previsível em alguns caminhos, a jornada funciona porque existe afeto por trás dela. É o tipo de filme capaz de fazer adultos lembrarem por que aquelas animações marcaram tanto sua infância, enquanto apresenta os personagens para uma nova geração.
No fim, Coyote vs. Acme é justamente o tipo de produção que não deveria ter ficado escondida. Dave Green entrega uma aventura criativa, visualmente inventiva e surpreendentemente carinhosa, que entende que os Looney Tunes não precisam ser modernizados a ponto de perder sua essência. Eles precisam apenas de espaço para fazer aquilo que sempre fizeram melhor: desafiar a lógica, quebrar as regras e transformar o impossível em piada.
Opinião da Redação: "Coyote vs. Acme é uma daquelas obras que carregam uma energia difícil de fabricar artificialmente: a sensação de que existe alguém realmente apaixonado pelos personagens por trás da câmera. O filme pode não acertar em absolutamente todos os momentos, principalmente quando deixa seus personagens animados de lado, mas quando Wile E. Coyote assume o controle, a produção encontra uma magia que há muito tempo não víamos em uma adaptação dos Looney Tunes. É engraçado, inventivo e, principalmente, tem coração."
E você? Acha que Coyote vs. Acme conseguiu fazer justiça ao legado dos Looney Tunes? Qual personagem você gostaria de ver ganhando um filme próprio?
Ficha Técnica
Nome: Terra à Deriva 2: Destino
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinemas
Categoria: Ficção científica / Aventura
Duração: 2h e 53min
Nota: 3/5


