Crítica | Terra à Deriva 2
- Redação neonews

- há 7 horas
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Terra à Deriva 2 troca o espetáculo do primeiro filme por uma narrativa mais burocrática que nem sempre sustenta suas quase três horas

(Foto: Divulgação)
Quem assistiu ao primeiro Terra à Deriva dificilmente esqueceu a sensação de estar diante de uma ficção científica gigantesca, daquelas em que a lógica quase fica em segundo plano porque o impacto visual fala mais alto. A continuação chega com ainda mais ambição, mais orçamento e a missão de expandir esse universo. O problema é que, ao tentar dar mais importância política e histórica à própria mitologia, Terra à Deriva 2 acaba sacrificando justamente a espontaneidade que fazia o original funcionar.
Desta vez, a história volta no tempo para mostrar como a humanidade decidiu colocar em prática o plano que moveria o planeta inteiro para longe da destruição. A ideia é interessante, mas o filme transforma essa construção em uma sucessão de reuniões, decisões diplomáticas e explicações constantes. Em vez de deixar o espectador descobrir esse mundo naturalmente, o roteiro parece preocupado em explicar cada detalhe, enchendo a tela de letreiros, contagens regressivas e mudanças de localização.

(Foto: Divulgação)
Isso não significa que o filme deixe de impressionar. Quando Frant Gwo lembra que é um diretor com enorme talento para criar imagens grandiosas, o espetáculo reaparece. A fotografia de Michael Liu aproveita reflexos, vidros e ambientes frios para construir cenas visualmente elegantes, enquanto os efeitos especiais continuam sendo um dos grandes diferenciais da franquia. Há momentos em que a escala do desastre realmente faz parecer que os personagens são apenas pequenas peças diante do universo.
O problema é que essas faíscas aparecem entre longos trechos de exposição. Com quase três horas de duração, o ritmo se torna irregular, e nem sempre os personagens conseguem carregar o peso emocional que o roteiro tenta construir. Diferente do primeiro filme, onde a urgência conduzia a experiência quase o tempo todo, aqui existe uma sensação constante de preparação para algo maior que demora demais para chegar.

(Foto: Divulgação)
Ainda assim, é difícil ignorar a importância da franquia dentro da ficção científica contemporânea. Poucos blockbusters conseguem apresentar uma escala tão monumental sem recorrer às fórmulas hollywoodianas mais tradicionais. Existe personalidade na maneira como o cinema chinês encara esse tipo de espetáculo, mesmo quando o resultado não alcança todo o potencial da proposta.
Terra à Deriva 2 é um filme curioso justamente por parecer dividido entre dois objetivos: impressionar como blockbuster e legitimar sua própria mitologia através de uma narrativa mais séria. Quando aposta na grandiosidade, encanta. Quando insiste em explicar tudo, perde parte do impulso que tornou seu antecessor tão divertido.
Opinião da Redação: "Saí de Terra à Deriva 2 admirando muito mais suas imagens do que sua história. É daqueles filmes que têm cenas capazes de deixar qualquer fã de ficção científica de boca aberta, mas também exigem bastante paciência entre um grande momento e outro. Ainda gosto da ousadia dessa franquia, só senti falta daquela sensação de embarcar na viagem sem precisar que ela me explicasse cada passo do caminho."
Você prefere quando a ficção científica deixa espaço para o mistério ou quando explica todos os detalhes do seu universo?
Ficha Técnica
Nome: Terra à Deriva 2: Destino
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinemas
Categoria: Ficção científica / Aventura
Duração: 2h e 53min
Nota: 3/5


