Crítica | O Bosque Selvagem

A animação em stop-motion da Laika transforma O Bosque Selvagem, que estreia em 29 de outubro, em uma aventura fantástica sobre dois irmãos, criaturas mágicas e uma rainha marcada pelo luto

(Foto: Divulgação)
Algumas animações conquistam pela diversão, outras ficam na memória pelas emoções que despertam. O Bosque Selvagem consegue reunir as duas coisas em uma aventura que começa com o desaparecimento de uma criança e cresce até se tornar uma jornada sobre coragem, perda e os laços que construímos pelo caminho. É uma história de fantasia, mas o que realmente sustenta o filme são sentimentos bastante reais.
Dirigido por Travis Knight, o novo longa do estúdio Laika reforça uma das características mais marcantes da produtora: a capacidade de transformar o stop-motion em algo vivo, expressivo e cheio de personalidade. Em um cenário dominado por animações digitais, ver personagens construídos com texturas e movimentos artesanais faz diferença. Cada detalhe da floresta parece pensado para criar um universo próprio, daqueles que despertam curiosidade a cada nova cena.

(Foto: Divulgação)
A trama acompanha Prue, uma jovem que parte em busca do irmão mais novo, Curtis, sequestrado por corvos. A procura acaba levando a protagonista para uma floresta habitada por animais falantes e criaturas místicas, onde os perigos vão muito além do que ela poderia imaginar. A premissa segue caminhos conhecidos da fantasia, mas o filme encontra maneiras interessantes de desenvolver essa aventura sem depender apenas da surpresa ou da ação.
Prue funciona como protagonista justamente por não precisar esperar que alguém a transforme em heroína. Ela tem convicções, toma decisões e segue em frente mesmo quando tudo parece estar contra ela. Curtis, por outro lado, vive uma jornada de amadurecimento mais gradual, descobrindo sua própria força em meio a situações que nunca imaginou enfrentar. Os dois têm trajetórias distintas, e essa diferença ajuda a dar mais profundidade à relação entre os irmãos.
Um dos aspectos mais interessantes está na forma como o filme trabalha sua antagonista, a Rainha Viúva Alexandra. Em vez de construir uma vilã movida simplesmente pelo desejo de dominar ou destruir, a história apresenta alguém marcada pelo luto e por um amor que se transformou em sofrimento. Isso não justifica suas atitudes, mas ajuda a entender de onde elas vêm. É uma abordagem que dá peso ao conflito e evita que a personagem seja apenas mais um obstáculo na jornada dos protagonistas.

(Foto: Divulgação)
O roteiro de Chris Butler também encontra espaço para o humor sem diminuir a seriedade dos temas abordados. Os diálogos ajudam a estabelecer as relações entre os personagens, enquanto as criaturas secundárias dão energia à aventura. Mesmo recorrendo a elementos familiares da fantasia, com ecos de grandes histórias do gênero, o filme consegue combinar essas referências com personalidade própria. A narrativa não precisa reinventar tudo para funcionar, e sim saber o que fazer com aquilo que escolhe contar.
É a combinação entre a parte visual e o lado emocional que faz O Bosque Selvagem se destacar. A animação não serve apenas como uma embalagem bonita para a história: ela contribui para a maneira como sentimos aquele mundo e seus habitantes. Ao tratar o luto como algo capaz de mudar profundamente uma pessoa, o longa também se afasta da ideia de que toda perda pode ser resolvida de maneira simples. Sua fantasia tem encantamento, mas não foge da dor que existe por trás dela.
Opinião da Redação: "O que mais gostei em O Bosque Selvagem é que ele não trata a fantasia como uma forma de escapar dos sentimentos difíceis. A história tem criaturas incríveis e um visual que chama atenção, mas é a maneira como fala sobre perder alguém e continuar vivendo que dá sentido à aventura. Para mim, esse equilíbrio é o que faz a animação ir além de uma experiência bonita e ter potencial para continuar na memória depois dos créditos."
O Bosque Selvagem tem tudo para se tornar um clássico da animação ou você acha que o legado de um filme só pode ser definido com o passar dos anos?
Ficha Técnica
Nome: O Bosque Selvagem
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinema
Categoria: Animação/ Fantasia / Aventura
Duração: 2h e 12m
Nota: 4,5/5


