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Crítica | Verity

Foto do escritor: Redação neonews
Redação neonews
há 1 dia
3 min de leitura

Entre mistério, tensão e exageros, Verity tenta chocar o público, mas acaba entregando mais previsibilidade do que suspense


Verity
Verity

(Foto: Divulgação)


O que torna Verity interessante logo de cara é também o que o filme parece ter mais dificuldade para aproveitar. A história acompanha Lowen Ashleigh, uma escritora em dificuldades que recebe a oportunidade de continuar a série de livros de Verity Crawford, uma autora famosa que ficou incapacitada após um acidente. O trabalho parece ser a chance perfeita para mudar sua vida, até que Lowen encontra um manuscrito que revela um lado perturbador da escritora. A partir daí, o filme tem todos os elementos para construir um thriller psicológico desconfortável, mas nem sempre sabe o que fazer com eles.


A premissa funciona porque existe uma dúvida simples por trás de tudo: até que ponto aquilo que Lowen encontrou é verdade? O problema é que Verity não parece muito interessado em deixar essa dúvida respirar. Conforme a história avança, algumas pistas entregam cedo demais o caminho que o roteiro pretende seguir. Em vez de acompanhar o mistério tentando descobrir o que realmente aconteceu, o espectador passa boa parte do tempo esperando o filme confirmar aquilo que já suspeitava.


Verity
Verity

(Foto: Divulgação)


E quando tenta aumentar a tensão, a produção frequentemente exagera na mão. Algumas situações são tão sexualizadas ou acompanhadas de diálogos tão artificiais que o desconforto provocado pela história dá lugar a uma sensação quase involuntariamente cômica. Existe uma tentativa clara de transformar determinados momentos em grandes choques, mas nem todos funcionam. O que deveria causar estranhamento acaba, em algumas cenas, provocando mais vergonha alheia do que tensão.


Anne Hathaway é justamente uma das partes mais interessantes desse conjunto. A atriz consegue criar uma presença inquietante mesmo quando o roteiro não oferece profundidade suficiente para sua personagem. O problema é que Verity poderia ser muito mais complexa do que o filme permite. Suas relações familiares e suas possíveis motivações ficam pouco exploradas, fazendo com que boa parte da personalidade perturbadora da personagem dependa mais daquilo que é contado sobre ela do que daquilo que efetivamente vemos.


Lowen também sofre com escolhas convenientes do roteiro. Sua transformação de uma escritora insegura para alguém cada vez mais envolvida com Jeremy e convencida de que pode ocupar o lugar de Verity acontece rápido demais. A mudança até poderia funcionar dentro da proposta, mas falta desenvolvimento para que suas decisões pareçam consequência natural da história, e não simplesmente uma maneira de levar a trama até o próximo acontecimento.


Verity
Verity

(Foto: Divulgação)


É aí que Verity acaba desperdiçando sua melhor oportunidade. O material tinha espaço para um thriller psicológico realmente perturbador, principalmente se tivesse apostado mais na ambiguidade e na dúvida sobre quem está dizendo a verdade. Em vez disso, o filme prefere revelar suas cartas enquanto tenta compensar a falta de suspense com sustos, frases de efeito e reviravoltas cada vez mais calculadas para causar impacto.


Ainda assim, seria injusto dizer que não existe nada funcionando. Quando o filme deixa de tentar impressionar e simplesmente acompanha a estranheza daquela família, existe uma história interessante ali. Josh Hartnett também encontra momentos para se destacar, enquanto Hathaway consegue transformar uma personagem pouco desenvolvida em alguém que permanece na memória. O problema é que esses elementos parecem pertencer a um filme mais contido e ambíguo do que aquele que Verity decidiu ser.


Opinião da Redação: "Para quem chega a Verity sem conhecer o livro, talvez algumas das reviravoltas ainda consigam funcionar. Mas, para quem leu a obra de Colleen Hoover, existe uma expectativa diferente: a história já chega acompanhada daquela sensação de desconforto e dúvida que fez tanta gente discutir o livro depois de terminar a leitura. E foi justamente aí que senti mais falta de alguma coisa no filme. Não é apenas uma questão de saber o que acontece ou reconhecer os personagens; é perceber que uma história que poderia brincar muito mais com a dúvida acaba entregando suas intenções cedo demais.


Enquanto assistia, fiquei com a sensação de que o filme estava sempre tentando me convencer de que determinada cena era chocante, quando o próprio material já tinha elementos suficientes para causar incômodo sem precisar exagerar. O livro pode não ser perfeito, mas sua grande força está justamente em fazer o leitor questionar o que está diante dele. No cinema, essa dúvida perde espaço para explicações, sustos e momentos que parecem feitos para provocar uma reação imediata. Para mim, esse foi o maior desperdício de Verity: não faltava história, faltou confiar nela."


Para quem leu Verity, o filme conseguiu preservar a mesma sensação de dúvida e desconforto do livro?




Ficha Técnica


Nome: Verity

Tipo: Filme

Onde assistir: Cinemas

Categoria: Thriller psicológico

Duração: 1h e 54min



Nota: 3/5



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