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Crítica | Linkin Park: Unshatter

Foto do escritor: Redação neonews
Redação neonews
há 8 horas
4 min de leitura

Documentário dirigido por Joe Hahn revisita o luto, acompanha a reconstrução do grupo e mostra como o público brasileiro se tornou parte essencial de um novo capítulo do Linkin Park


Linkin Park: Unshatter
Linkin Park: Unshatter

(Foto: Divulgação)


Poucas bandas conseguiram atravessar gerações como o Linkin Park. Para quem acompanhou a explosão do grupo nos anos 2000, Chester Bennington não era apenas um vocalista: sua voz fazia parte da trilha sonora de momentos importantes da vida de milhões de pessoas. Depois de sua morte, em 2017, imaginar o Linkin Park novamente nos palcos parecia impossível. Linkin Park: Unshatter nasce justamente desse intervalo entre a perda e o recomeço. Mais do que um documentário sobre uma banda que voltou, o filme é um registro sobre como seis pessoas tentaram descobrir se ainda existia um caminho possível depois de uma ausência impossível de preencher.


Dirigido pelo próprio Joe Hahn, DJ do grupo, o documentário assume uma abordagem bastante íntima. Em vez de construir uma narrativa distante, Hahn coloca os integrantes diante das próprias dúvidas e transforma os bastidores da reunião em uma espécie de conversa aberta. Mike Shinoda, Brad Delson e os demais músicos falam sobre o período após a morte de Chester, as carreiras individuais e os receios que cercaram a possibilidade de voltar. A ausência de Rob Bourdon e a chegada de Colin Brittain também fazem parte desse processo. O roteiro, portanto, não tenta vender a reunião como uma decisão simples. Pelo contrário: mostra que retornar significava primeiro entender se a banda ainda tinha algo a dizer.


Linkin Park: Unshatter
Linkin Park: Unshatter

(Foto: Divulgação)


E então surge Emily Armstrong, elemento central dessa reconstrução. O documentário dedica bastante espaço à aproximação da cantora com os integrantes e à maneira como sua presença vai deixando de parecer uma substituição para se tornar parte de uma nova identidade. A grande questão que paira sobre o filme é inevitável: como continuar uma banda tão profundamente associada à voz de Chester sem tentar simplesmente ocupar o lugar que ele deixou? Unshatter não oferece uma resposta definitiva, e talvez esse seja justamente seu maior acerto. Emily não está ali para apagar o passado. Ela representa a possibilidade de seguir em frente carregando aquilo que veio antes.


As gravações do álbum From Zero dão ao documentário uma camada especialmente interessante. A câmera acompanha ensaios e sessões de estúdio, permitindo que o público veja uma banda ainda descobrindo como suas novas peças se encaixam. É nesses momentos que a produção encontra algumas de suas cenas mais humanas. Não existe a sensação de que estamos apenas assistindo a músicos produzindo um disco; estamos vendo pessoas tentando recuperar uma dinâmica que parecia ter sido interrompida para sempre. A fotografia privilegia esses encontros e os bastidores, enquanto a direção de Hahn evita transformar o processo em um espetáculo excessivamente polido.


Mas é quando Unshatter chega ao Brasil que a produção ganha outra dimensão. O show em São Paulo funciona praticamente como o coração do documentário. Imagens aéreas, registros feitos no meio da multidão e a própria perspectiva de Hahn no palco criam uma sensação de presença que coloca o espectador dentro daquele estádio. E a trilha sonora, naturalmente, é um dos maiores trunfos do filme. Ouvir milhares de pessoas cantando sucessos do Linkin Park ao lado das novas músicas cria uma experiência quase física. Para quem conhece a banda, é impossível não sentir um arrepio ao reconhecer determinadas canções e perceber o tamanho da conexão construída ao longo de décadas.


Linkin Park: Unshatter
Linkin Park: Unshatter

(Foto: Divulgação)


Não há atuações tradicionais em um documentário como este, mas existe algo talvez ainda mais importante: vulnerabilidade. Os integrantes não precisam interpretar o que sentem, porque o próprio processo de reconstrução da banda já carrega um peso emocional enorme. E o público brasileiro se transforma em personagem fundamental dessa história. As declarações dos fãs no início, contando como as músicas fizeram parte de suas vidas, ganham um novo significado quando vemos a multidão cantando junto no final. O filme começa mostrando pessoas dizendo que o Linkin Park esteve presente quando elas precisavam e termina mostrando uma banda percebendo que seus fãs também estavam ali quando ela precisava deles.


No fim, Linkin Park: Unshatter não é exatamente um documentário sobre substituir Chester Bennington, e sim sobre aceitar que algumas ausências nunca serão preenchidas. O filme entende que o passado continua existindo enquanto o futuro precisa ser construído. Joe Hahn transforma esse processo em uma experiência emocionante, principalmente para quem cresceu ouvindo a banda e acompanhou de perto todos os altos e baixos dessa história. Talvez a maior mensagem de Unshatter esteja justamente no título: algumas coisas podem se quebrar, mas isso não significa que não possam ser reconstruídas de outra maneira.


Opinião da Redação: "É um documentário feito para fãs, sem dúvida, mas existe uma sinceridade tão grande nos bastidores e nas apresentações que mesmo quem não acompanha cada capítulo da trajetória do grupo consegue compreender o tamanho daquele recomeço. Para a redação do neoNews, o grande mérito do filme está em não tratar o retorno como uma tentativa de reproduzir o passado, mas como uma forma de honrá-lo enquanto uma nova história começa. E, no meio de tudo isso, fica uma certeza bonita: Chester continua sendo parte dessa história, não como alguém a ser substituído, mas como alguém que jamais deixará de fazer parte dela."




Ficha Técnica


Nome: Linkin Park: Unshatter

Tipo: Documentário

Onde assistir: Cinemas

Categoria: Drama Musical / Documentário

Duração: 1h e 53min



Nota: 4,5/5



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