Crítica | A Hipótese do Amor

A Hipótese do Amor transforma o clássico namoro de mentirinha em uma das adaptações mais carismáticas do ano

(Foto: Divulgação)
Existe um momento em A Hipótese do Amor em que você percebe que já caiu na armadilha do filme. Não é durante a cena do beijo, nem quando o namoro de mentirinha começa oficialmente. É antes, naquele tipo de troca de olhares que faz você esquecer que conhece exatamente o caminho que a história vai seguir. E talvez esse seja o maior mérito da adaptação de Ali Hazelwood: ela prova que uma comédia romântica não precisa reinventar a roda para fazer o coração disparar.
A trama acompanha Olive, uma doutoranda em Stanford que acaba fingindo um relacionamento com o professor Adam Carlsen para resolver problemas que, claro, parecem muito mais simples do que realmente são. O trope do fake dating já foi usado incontáveis vezes, mas aqui ele funciona porque o roteiro entende que a graça nunca esteve no acordo entre os protagonistas. Está em assistir duas pessoas baixarem a guarda aos poucos sem perceberem que já deixaram de atuar.

(Foto: Divulgação)
Muito do charme vem da química entre Lili Reinhart e Tom Bateman. Reinhart faz de Olive uma protagonista naturalmente divertida, sem cair no excesso de fofura, enquanto Bateman encontra um equilíbrio ótimo entre a postura intimidadora de Adam e as pequenas rachaduras que revelam seu lado mais gentil. O contraste entre os dois rende algumas das cenas mais gostosas do filme, da sequência do protetor solar aos momentos constrangedores que fazem rir sem parecer forçados.
Outro acerto está na ambientação universitária. Em vez de usar o mundo acadêmico apenas como cenário, o filme incorpora laboratórios, pesquisas, disputas por financiamento e amizades femininas à narrativa, fazendo com que aquele universo tenha personalidade própria. Isso ajuda a dar mais peso às escolhas de Olive e impede que a história pareça existir apenas em função do romance.

(Foto: Divulgação)
Nem tudo funciona perfeitamente. O terceiro ato acelera um conflito que merecia respirar um pouco mais, resolvendo questões importantes rápido demais. Não chega a comprometer a experiência, mas tira parte da força emocional de um filme que, até então, tinha construído cada aproximação com bastante cuidado.
Ainda assim, é difícil terminar o filme sem um sorriso no rosto. A Hipótese do Amor recupera aquela sensação gostosa das comédias românticas dos anos 90 e 2000, mas sem parecer preso ao passado. Ele entende que o conforto desse gênero nunca esteve apenas nos clichês, e sim na capacidade de fazer a gente torcer por duas pessoas como se fosse a primeira vez vendo uma história assim.
Opinião da Redação: "Percebi que tinha comprado completamente esse casal quando comecei a comemorar pequenas interações como se estivesse assistindo aos meus filmes favoritos dos anos 2000 pela primeira vez. Fazia tempo que uma comédia romântica não me arrancava tantas risadas espontâneas e, principalmente, aquela vontade de rever só para viver de novo os momentos em que Olive e Adam finalmente deixam de fingir."
Qual é o trope de comédia romântica que sempre funciona com você: namoro de mentirinha, enemies to lovers ou colegas que acabam se apaixonando?
Ficha Técnica
Nome: A Hipótese do Amor
Tipo: Filme
Onde assistir: Prime Video
Categoria: Comédia romântica
Duração: 1h e 50min
Nota: 4,5/5


