Crítica | Carrie: A Estranha

Ao transformar Carrie em um universo sobrenatural maior, a nova série encontra em seus conflitos familiares a melhor maneira de atualizar o clássico de Stephen King

(Foto: Divulgação)
É difícil falar de Carrie: A Estranha sem pensar nas versões que vieram antes. A história de Stephen King já ganhou adaptações marcantes e, por isso, qualquer nova tentativa inevitavelmente chega acompanhada de comparação. A diferença é que Mike Flanagan parece saber exatamente disso e, em vez de tentar simplesmente refazer o que já funcionou, decide mexer na estrutura da história. A nova série mantém o coração do livro, mas abre espaço para ideias que transformam Carrie em algo bem maior do que apenas a garota perseguida pelos colegas da escola.
A Carrie interpretada por Summer H. Howell continua sendo uma adolescente criada em isolamento, tentando entender um mundo que praticamente nunca pôde conhecer. A entrada na escola continua funcionando como o ponto de ruptura, mas a série aproveita esse momento para explorar questões que fazem bastante sentido no presente. Bullying, religião, redes sociais e a necessidade de pertencer aparecem de maneira mais integrada à história, sem parecer que foram simplesmente colocados ali para deixar a trama “atual”.

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A principal mudança está na maneira como Flanagan expande os poderes de Carrie. O livro já sugeria que ela não era necessariamente um caso isolado, mas a série transforma essa ideia em uma parte importante da narrativa. De repente, existe todo um universo possível por trás daquilo que conhecemos. É uma escolha que poderia facilmente tirar Carrie do caminho e transformar a série em outra coisa, mas funciona justamente porque o drama entre Carrie e a mãe continua sendo o centro de tudo.
E essa relação é, para mim, onde a série realmente ganha força. Samantha Sloyan constrói uma Margaret muito mais complexa do que simplesmente uma mãe cruel e fanática. Existe violência naquela relação, mas também existe uma história de trauma, culpa e crença que ajuda a entender como aquele ambiente se tornou tão sufocante para Carrie. A série não transforma Margaret em uma personagem fácil de defender, mas também não deixa que ela seja apenas uma vilã. Isso dá muito mais peso aos momentos entre as duas.
O elenco também ajuda a sustentar essa proposta. Summer H. Howell consegue fazer com que Carrie pareça vulnerável sem transformar a personagem em alguém passivo durante toda a história. Kate Siegel, Rahul Kohli, Amber Midthunder e Siena Agudong completam um elenco que consegue dar personalidade a uma história já bastante conhecida. Sue Snell, principalmente, ganha espaço para existir além da função que costuma ocupar na trama, dividida entre a popularidade e a percepção de que Carrie está sendo destruída ao seu redor.

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Nem todas as escolhas vão agradar quem esperava uma adaptação mais próxima do suspense clássico. Em alguns momentos, a expansão do universo sobrenatural deixa a série mais próxima de uma produção jovem contemporânea do que do terror psicológico associado às versões anteriores. As referências ao presente também podem parecer específicas demais em determinadas situações. Ainda assim, existe coerência na proposta: Flanagan não está tentando fingir que 1976 ou mesmo o livro original ainda são suficientes para contar essa história da mesma maneira.
Carrie: A Estranha funciona melhor quando entende que não precisa competir com as adaptações anteriores. A série encontra seu próprio caminho ao pegar uma história conhecida e perguntar o que ainda pode ser explorado dentro dela. Algumas escolhas são ousadas e certamente vão dividir quem já conhece a obra de King, mas existe algo interessante em assistir a uma versão que não tem medo de mexer no material original para descobrir novas possibilidades.
Opinião da Redação: "O mais interessante em Carrie: A Estranha é que a série não parece ter medo de mexer no que já conhecemos. Para quem já viu outras versões, isso faz diferença: em vez de tentar recriar momentos que já funcionaram, Flanagan abre a história para novos caminhos. Nem tudo funciona na mesma medida, mas pelo menos existe uma identidade própria e, para mim, isso já torna essa versão muito mais interessante do que uma simples releitura do clássico."
A nova Carrie: A Estranha consegue atualizar o clássico de Stephen King sem perder aquilo que tornou a história original tão marcante?
Ficha Técnica
Nome: Carrie: A Estranha
Tipo: Série
Onde assistir: Prime Video
Categoria: Terror, drama e sobrenatural
Duração: 8 episódios
Nota: 4/5


