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Crítica | "Noite Passada em Soho" acerta na estética, mas falta no suspense psicológico

Filme protagonizado por Anya Taylor-Joy e Thomasin McKenzie entrou em cartaz no Brasil esta semana


(Divulgação)


O novo filme de Edgar Wright, Noite Passada em Soho, carrega elementos certeiros para uma boa sinopse de thriller: uma protagonista curiosa, um cenário que é atrativo e misterioso, e um crime que conecta o passado com o presente. Contudo, a produção estrelada por Anya Taylor-Joy, no fim das contas, ainda falta entregar algo; e não é o figurino perfeito que ajudará nesta demanda.


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Na trama, o público entra em contato com a personagem Eloise (Thomasin McKenzie), caloura do curso de moda em Londres e que vislumbra um posto de destaque para si. Entretanto, a jovem depara-se com colegas fúteis e invejosos, que não creditam todo o seu esforço para chegar onde chegou, e Ellie decide permanecer sozinha na metrópole durante os estudos.


Com isso, a moça resolve se mudar para um apartamento na região do Soho (título do longa), bairro conhecido pela sua vida noturna histórica e contagiante. Porém, ao dormir, Eloise passa a ter contato com figuras e lugares de outra época, mais precisamente dos anos 1960; e a personagem se vê numa linha tênue entre o passado e os tempos atuais. Em seus sonhos, Ellie conhece a cantora em ascensão Sandie (Anya Taylor-Joy) e seu empresário Jack (Matt Smith), que adentram no showbusiness do submundo londrino. Como é óbvio nas entrelinhas, as coisas nunca são o que parecem ser.


Noite Passada em Soho entretém, mas carece de uma obscuridade que some no enredo. Por mais que a tensão esteja nas luzes estroboscópicas, na relação tóxica entre os personagens, e na angústia de Eloise diante do que vê em seus sonhos, o longa não surpreende. A sensação que permanece é a de que Edgar Wright faltou dar apenas alguns passos para a atmosfera perfeita. Com um pouco de atenção, o espectador irá logo sacar um dos grandes mistérios, e então só acompanhará como tudo se desenrolou.



Os coadjuvantes também não agregam muito, mas talvez este seja o intuito do roteiro. Thomasin e Anya, mesmo que não estejam em seus melhores papéis, têm uma interação ótima em cena; e é notável que a dinâmica entre as atrizes no set ocorreu naturalmente. Ao levar em conta que o filme é centrado em ambas, a maioria das figuras secundárias poderiam muito bem não estar ali. Como um adendo, Wright poderia ter dado um pouco mais de profundidade para Eloise, cujas habilidades como uma pessoa sensitiva são essenciais para o plot.


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Mesmo com tudo isso, não há como negar que Noite Passada em Soho carrega uma crítica relevante ao machismo no entretenimento. Anya Taylor-Joy não entregou uma atuação estupenda, mas as cenas de sua personagem foram feitas para incomodar: mostrar como Sandie, usada de exemplo para milhares de mulheres, tornou-se uma vítima do sistema que procurou ingressar. A personalidade da jovem definha, altera-se e corrói, o que é nítido principalmente numa cena com participação especial do ator Sam Claflin.


Como mencionada no início, a caracterização é de ponta. Noite Passada em Soho tem figurinos bem utilizados, uma trilha de jazz que fica na cabeça, e uma caracterização que não deixou a desejar. Mas o que de fato faz falta é o terror, ou o frio na espinha que um longa de confetes poderia ter entregado mais. A produção poderia ser facilmente considerada um drama, e não um thriller lançado na época do Dia das Bruxas no exterior.



O longa está atualmente em cartaz no Brasil, mas se houver outra opção, vê-lo no streaming não mudará muita coisa. É uma boa pedida para aqueles que gostam da Anya Taylor-Joy, que é uma das atrizes mais comentadas de Hollywood atualmente, ou para os que gostam de uma vibe vintage para ficar obcecado de vez em quando. Fora isso, é um suspense mediano, que cai no esquecimento por querer se enfeitar demais com as luzes (de vez em quando) exageradas.





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