Crítica | Street Fighter
Com Noah Centineo e Andrew Koji à frente do torneio, Street Fighter aposta na nostalgia e no humor, mas entrega combates sem impacto e uma história que não sabe o que quer ser

(Foto: Divulgação)
Adaptar um jogo de luta para o cinema parece uma tarefa simples: reunir personagens carismáticos, recriar golpes conhecidos e colocar todo mundo para brigar. Mas Street Fighter prova que nem isso é garantia de diversão. A nova adaptação tem figurinos caprichados, referências aos games e uma ambientação que tenta recuperar o espírito exagerado dos anos 1990. O problema é que, quando chega a hora de transformar tudo isso em um filme de verdade, as boas ideias ficam pelo caminho.
A história acompanha Ryu (Andrew Koji) e Ken (Noah Centineo), antigos companheiros de treino que seguem caminhos diferentes depois de uma tragédia envolvendo seu mestre. Anos mais tarde, os dois acabam envolvidos em um torneio organizado por M. Bison (David Dastmalchian), que reúne lutadores de diferentes partes do mundo. É uma estrutura que funciona perfeitamente para apresentar os personagens e criar rivalidades, mas o roteiro se perde ao tentar dar espaço para todo mundo ao mesmo tempo. Quando uma história precisa apresentar tantos nomes conhecidos, saber quem merece destaque é fundamental, e aqui essa escolha raramente funciona.

(Foto: Divulgação)
O maior problema está no tom. Ken parece ter saído de uma comédia adolescente, enquanto Ryu carrega um drama pessoal que pede uma abordagem bem mais séria. Em vez de fazer essas diferenças trabalharem a favor da dupla, o filme coloca os dois em histórias que parecem pertencer a produções completamente diferentes. Noah Centineo encontra algum espaço para brincar com a personalidade de Ken, mas Andrew Koji tem dificuldade para dar profundidade a um Ryu que passa boa parte do tempo preso à própria expressão fechada. A relação entre os dois, que deveria sustentar boa parte da narrativa, acaba perdendo força.
Entre os coadjuvantes, Callina Liang se destaca como Chun-Li e consegue dar à personagem uma presença que falta a boa parte do elenco. Cody Rhodes também entende a proposta exagerada de Guile e entrega momentos divertidos, enquanto os figurinos fazem um ótimo trabalho ao reproduzir o visual dos jogos. O problema é que vários personagens parecem ter sido incluídos apenas para que o público reconheça seus rostos e roupas. Balrog, Zangief e outros lutadores aparecem pouco, sem tempo suficiente para construir qualquer relevância na trama.
E então chegamos às lutas, justamente o elemento que deveria justificar a existência do filme. Os combates são rápidos, cortados de maneira pouco inspirada ou simplesmente resolvidos fora de cena. É frustrante acompanhar uma produção cheia de personagens conhecidos e perceber que os confrontos mais importantes não recebem o cuidado necessário. Não basta reproduzir um golpe famoso ou colocar dois lutadores frente a frente. É preciso criar ritmo, impacto e fazer o público sentir cada movimento. Nesse aspecto, Street Fighter decepciona bastante.

(Foto: Divulgação)
Curiosamente, o filme demonstra mais personalidade quando se preocupa com sua estética. A ambientação em 1993, as referências aos videoclipes da época e os momentos em animação 2D ajudam a criar uma identidade visual que combina com o exagero dos jogos. Existe uma versão muito mais divertida de Street Fighter escondida nessas escolhas, uma que abraça o absurdo sem tentar justificar cada situação com um drama elaborado. O problema é que essa leveza não se mantém ao longo da história, que muda de direção e perde boa parte da espontaneidade.
A adaptação parece não confiar naquilo que tem de melhor. O elenco oferece possibilidades, os personagens são reconhecíveis e o visual demonstra cuidado, mas o roteiro tenta equilibrar comédia, drama e ação sem encontrar um ponto de equilíbrio. Para uma franquia construída em torno de confrontos memoráveis, entregar lutas sem energia é um erro difícil de ignorar. Street Fighter até diverte em momentos isolados, mas deixa a sensação de que seus melhores elementos foram usados apenas pela metade.
Opinião da Redação: "O que mais me decepcionou foi perceber que o filme tinha tudo para abraçar a maluquice de Street Fighter e se divertir com ela, mas parece ficar preocupado demais em contar uma história que nem precisava ser tão complicada. Eu não esperava um grande drama sobre lutadores, queria ver personagens icônicos se enfrentando em cenas que dessem vontade de pegar um controle e jogar depois. Quando nem as lutas conseguem empolgar, fica difícil defender o restante."
Será que Street Fighter finalmente consegue fazer justiça aos personagens dos games ou a franquia vai continuar tropeçando nas adaptações para o cinema?
Ficha Técnica
Nome: Street Fighter
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinema
Categoria: Ação
Duração: 1h e 59m
Nota: 1,5/5


