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Crônica #43 | A vida em arte

Atualizado: 16 de fev.

A harmonia dos diferentes na beleza do Universo





Num momento de profundo apreciar de uma música clássica, iniciei um percurso pensando nas artes que preenchem e fazem parte do nosso dia a dia. Vi que dentro das sete artes clássicas a crônica pertence à sexta arte, então refleti nessa colocação antes não pensada por mim. Indo um pouco mais além vi que houve um reconhecimento de outros tipos de artes e que hoje a arte digital está também dentre elas, então me perguntei aonde cabem as outras artes? Música, dança, cinema, escultura, arquitetura, artes cênicas estão dentro de cada um de nós, que em conjunto representa a maravilha do todo. Concluí com o pensamento de que a vida é uma grandiosa obra de arte em que todos somos sempre protagonistas... ou figurantes, dependendo de como queremos atuar.



Arte da capa da crônica Na presença da inveja


A arte que ilustrou a nossa crônica “Na presença da inveja” me impressionou profundamente pela riqueza do seu conteúdo. Uma única imagem representou tudo, calou todas as palavras. No fundo a paisagem de um muro alto de arquitetura rústica, representando nada mais que o fim de algo, porém ainda em processo inacabado; indicando apenas uma barreira final, um ponto de estrangulamento da vida. Ou talvez uma grande barreira, apenas sinalizando o quanto teria que transpor para ir além, poder vislumbrar e descobrir outras novas realidades.





A imagem de um homem se projeta sem camisa expondo a neutralidade e liberdade de expressão e que na sua espontaneidade oferece um abraço. E próximo aos ouvidos da pessoa abraçada tenta expressar “amo você” ou “não se preocupe... estou aqui para lhe ouvir ...” Num singelo ato de compaixão e ajuda ele tenta expandir o amor sem igual. Com seu rosto voltado levemente para esquerda, domina a presença do coração; apenas parece dizer “Quero lhe abraçar bem apertadinho e sinta esse meu coração bater”. Com os olhos fechados ele apenas compartilha a sua gratidão pela pessoa que ora se despede. Parece pedir perdão sem se expressar em palavras, apenas presente no seu “eu”, pensando nas possíveis falhas cometidas até aquele momento. Talvez passasse nos seus pensamentos que aquele seria um último encontro... Ele, na presença da bondade, irradia uma aura como nas figuras de santos.



Leia também: Na presença da inveja



Entretanto, essa arte traz representado também o lado sombrio. Do lado oposto do homem uma tênue imagem do contorno de uma mulher de cabelos encaracolados. Esconde o seu olhar propositadamente para que seu companheiro não a veja, ora de raiva, ora de ódio. Talvez a lágrima dela não seja de despedida e sim de derrota. A mão da direita dela envolve a cabeça do rapaz tentando arrebatar um beijo, um beijo final de vingança. Na mão esquerda, justamente a mais próxima do coração, segura uma arma branca em forma de ataque e não de defesa. Seu pulso fechado e firme parece esperar o momento certo para um golpe único.


Um muro que pode representar o final de uma aventura. Um homem em destaque, uma mulher na sombra e uma arma branca próxima às costas do homem; em paradoxo das costelas de Adão que origina uma mulher. A arma que poderia ter um dia cortado a maçã do pecado. Nessas composições a crônica foi preenchida. Na imaginação dos atos, nas causas e efeitos, merecimentos.... Que arte fantástica!! Uma das sete artes do mundo, a pintura aliada à arte digital! Nossa gratidão e parabéns a Thiago Martins, diretor de artes, criador das ilustrações das crônicas, de todo portal neonews e do site da neocompany. Suas artes não apenas ilustram, mas nos leva a um mergulho profundo que transborda em fortes emoções, trazendo sentimentos para se expressarem em pura vida!

Apreciando e percorrendo os pormenores da arte daquela crônica, me lembrei de outra das sete artes, a escultura. Me sensibilizou muito a mensagem da escultura “Self made man” do artista plástico Hobbie Carlyle (1960). Uma bela escultura de bronze que se resume em construindo a si mesmo. Esculpindo o que vem, o futuro que sai do seu próprio cinzel e marreta.

Esculpindo-nos de cima para baixo, tudo iniciado pela mente, obedecendo rigorosamente conforme determinado por ela. Isso é totalmente justo, é uma belíssima arte, única, exclusiva e essencial peça do quebra cabeça que compõe o nosso vasto e diversificado Universo.


Tudo no Universo está no seu devido lugar, há sempre um período para amadurecimento, nada surge pronto. Tudo segue uma sequência de etapas. Esse é um pensamento deixado pelos antigos filósofos. Uma árvore formada é fonte de inspiração da paciência e constância. No início apenas uma semente, depois raízes, tronco, folhas, flores, frutos e enfim uma árvore.... A árvore é uma belíssima obra de arte da nossa natureza. Arte viva!! Assim como nós seres humanos, obras de arte da mais pura e bela qualidade... todos nós fazendo da vida uma arte, esculpindo cada qual com suas ferramentas específicas e próprias, de acordo com o que desejam e buscam no mais profundo do seu ser. Seremos o resultado desse desejo real que habita o nosso interior, mergulhados nas verdades ou nas ilusões, gerando lindas ou falsas belas artes, saibamos escolher as verdadeiras ferramentas.





Como aquela escultura, estamos construindo a nós mesmos a todo pequeno momento, durante todo e qualquer tempo. Lembremos sempre que somos como a semente de uma grande e frondosa árvore. Como semente, até pelo tamanho, ela não aparenta nem demonstra; mas toda sua grandeza e beleza já está contida dentro dela. Assim como a árvore saímos em busca de sol, de luz, de iluminação. Buscamos na água, no ar e na terra os nutrientes necessários para que as raízes se fortaleçam, se estruturem. Enfrentamos as chuvas, os vendavais, os trovões, os raios. Com o passar do tempo podemos oferecer as flores, as mais lindas flores que poderão perfumar, embelezar o ambiente de muitos ou inspirar a mente transformando-as em arte. Ou então aguardando e se servindo da paciência até se tornarem frutos. Agora como frutos, aos que assim quiserem, oferecer a degustação despertando em seu interior os mais diferentes sentimentos. Se deliciando em plenitude dos sabores doce e suave ou se ainda verdes, provocando repulsa pela dureza ou sabor azedo. Tudo tem o seu tempo certo de amadurecimento. Porém, o amadurecimento ou a maturidade não é uma questão somente de tempo linear externo, é uma questão de tempo interno. Alguns passam da fase verde para a fase podre, não amadurecem. Por que isso? Existe também a questão de mérito. Quando o homem tem mérito a sua consciência amadurece. E é lindo o chegar da maturidade! Tudo fica mais fácil, mais leve, mais belo. Aprecia-se de forma mais intensa todas as artes da vida.


E mesmo atingindo o seu tamanho em grandeza não quer dizer que se para de crescer. A árvore agora está perfeitamente enraizada. Agora pode oferecer além da beleza das flores, dos frutos, uma bela e refrescante sombra a quem a enxergar. Quais seriam nesse momento de amadurecimento os nossos sentimentos, nossas emoções? O amadurecimento é uma peça fundamental para que nossa realização seja completa. Como estaria nossa mente? Será que seríamos um excelente ser humano? Já que passamos por tantas chuvas, tempestades, furacões, desafio a perder de vista, provações... A alma necessita estar enraizada no amor. É ele que com sua nobreza e grandeza, capacitará o florescer dos mais lindos sonhos transformando em belíssima arte a vida como um todo.


Como seres em pleno e contínuo desenvolvimento físico, mental e principalmente espiritual; temos ainda um mundo misterioso de pensamentos e emoções que atuam e interferem na maior parte do tempo, do nosso dia a dia, de maneira inconsciente. A nossa caixa de pandora é aberta sempre sem que nos damos conta e quando percebemos a desordem já se instalou. Nossa construção não está na forma e sim no mundo das ideias, como disse Platão. Ir em busca da ideia que trouxe nosso nascimento para assim poder corresponder de uma forma correta: é o início do nosso construir a si mesmo. Com o nosso livre-arbítrio, aliada à nossa capacidade de reflexão não precisamos ser tutelados pela Natureza. Os animais, as plantas ou as pedras sim, necessitam da tutela das leis da natureza. Porém elas nunca se revoltam por sua natureza; não vemos uma flor se revoltando por ser uma planta. Ela cumpre fielmente a sua missão. O homem é o único que se revolta e muitas vezes não cumpre seu papel, em ser um humano. Se coloca inanimado e duro como uma pedra, por exemplo, ou seus atos são instintivos como um animal... é a sua escolha! É a nossa autonomia sendo respeitada pelo livre-arbítrio.



Leia também: O Quinto Elemento



Assim como precisamos ter consciência da necessidade de um treinamento físico, é preciso treinar o nosso universo mental. Sutilizar abrindo cada vez mais nossos canais, sabendo ouvir nossos corações. Se perguntar o que realmente é necessário, o que realmente quero? O que é realmente mais importante, o que é prioridade? Quem eu sou? Responder não na forma convencional que muitos respondem, como no aspecto físico, profissional ou com emoções superficiais. Pause o tempo e se pergunte, vá na profundidade e tente responder na verticalidade. Saibamos e treinemos para sair da reta do degrau que estamos, chegando no canto divisor máximo, onde não teremos opção a não ser olhar para cima e decidir ver o que tem no degrau superior. Despertemos essa curiosidade e busquemos a escalada.