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  • Foto do escritorOtavio Yagima

Crônica #87 | Metamorfose

Atualizado: 17 de ago. de 2023

O voo da liberdade.



O que você encontrará nesta crônica:


A resistência que temos às mudanças internas, se contrapõe a esse mundo em perpétuo estado de transformação. Mudar é difícil. A questão maior é entendermos quão fatal é não mudar. Os processos de mudanças implicam em movimento, em exploração, é participar na criação da própria existência. É identificar quem somos, as coisas que deverão ser mudadas ou deixadas para trás, é identificar as pessoas a quem deveremos nos unir, ou as pessoas que deverão ser afastadas de nós, é a ação em todas as transformações. Metamorfoses, reais e constantes em nossas vidas: estamos abertos ou fechados a elas?


I. O canto da cigarra.


Caminhando pelo nosso belo clube de campo em meio à sua exuberante natureza, nossos ouvidos são agraciados pelos cantos agudos e estridentes das cigarras.

A alegre sinfonia da primavera, ecoando por todos os cantos, e anunciando sua chegada.

Temperatura amena, uma luz mais forte do sol colorindo cada dia mais as flores.

Nossa atmosfera, com sua energia vibrando numa frequência encantadora de alegria.


Nossas mentes trazem a infância de nossas filhas, nessa época do ano.

Fascinadas, costumavam brincar com tatuzinhos bola, dizendo ser conchinhas da terra; interagiam com as aranhas em suas teias, e as cigarras despertavam a curiosidade porque saiam de buraquinhos na terra, abandonando depois seus bizarros exoesqueletos.

Elas costumavam caminhar conosco, e a cada árvore faziam uma parada para recolherem, cuidadosamente, as casquinhas das cigarras fincadas em seus troncos.

Riam e se divertiam grudando as casquinhas em suas roupas, e as enfileiravam organizadamente, formando exércitos de cigarras. Isso lhes rendiam muito tempo de farta imaginação, em meio às gostosas gargalhadas, típicas de crianças felizes.


As manifestações da natureza, sempre marcando as diferentes etapas de nossas vidas.

Com um pouquinho mais de idade, nossa filha primogênita amava ouvir os cantos das cigarras, pois prenunciavam também a chegada da estação quente, o que literalmente trazia consigo as divertidas férias de final de ano, as férias de verão.


O canto da cigarra era intenso. Já havíamos adentrado o verão, e uma leve chuva nos surpreendeu no meio de uma caminhada. Num momento de descanso, nos sentamos ao lado de uma árvore e lá estava ela, cantando a plenos pulmões.


Mexendo com os pés numa pedra, vejo sob ela uma cigarra ainda no seu casulo. Na ânsia de ajudá-la a se livrar da terra e poder cantar, peguei e a levei até a fenda de uma árvore. No dia seguinte fui ver a minha boa ação. Qual não foi minha decepção, acrescida também de um sentimento de culpa, pois estava ela sem vida.... Nem pôde romper sua casca, e assim não cantou naquele verão.


Uma cigarra deslumbra o sol somente durante algumas semanas, depois de viver até 17 anos sob a terra, escondida na escuridão do subterrâneo, se alimentando de seivas desprezadas pelos outros seres. Após esses longos anos, ela aparece novamente no mundo; cavando seu túnel, emergindo e subindo nas árvores para esperar por uma metamorfose. E após sua transformação, brinda com seus alegres cantos cheios de plena energia, nossas primaveras e nossos dias quentes de verão.


II. Perpétuo movimento.


Heráclito de Éfeso, (540 – 470 A.C.), foi um pensador pré-socrático, que estudou a natureza em busca de respostas para fundamentar a realidade.

Defendia que assim como a natureza, o mundo e o ser humano estão em perpétuo movimento, mudando e se transformando a todo momento.

Para ele, tudo flui e nada é permanente, exceto a mudança.

Sua famosa frase é de conhecimento de muitos: “Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas, que já serão outras.”


Sabemos e concordamos, por experiência, sobre a constante mutabilidade do ser humano; em termos biológicos, emocionais, de pensamentos e até mesmo de crenças. Há tempos em que as dificuldades de se processar a vida são mais profundas, são os tempos de metamorfoses mais expressivas.

A dinâmica da vida é algo que nos engrandece. A evolução, o surgimento de todas as possibilidades a cada segundo, ou milésimos de segundos nas nossas vidas.


As barreiras são criadas pelo homem, os problemas também. Os acidentes são provocados por conjuntos de erros, também criados pelo homem. O homem poderá criar a luz ou a escuridão na sua vida. Poderá criar sofrimentos ou livramentos.

Poderá também criar tempos de redenção.


A netinha de nossa amiga nos chama a atenção. Correndo atrás de duas borboletas que juntas voavam, as imita levantando suas mãozinhas. Cena encantadora! Aproveitamos para reforçar o ensino das cores. Eram lindas, amarelas!


 

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III. A lagarta.


Tínhamos no jardim três grandes coqueiros. Em sua época, era abundante a quantidade de lagartas que se movimentavam pelo chão. As lagartas costumam não ser belas aos olhos humanos. Pela sua constituição, esse ser rastejante nos passa às vezes, uma ideia repugnante; e simplesmente as evitamos e as desprezamos.

Enquanto lagarta, rastejante e com seu corpo todo atado ao chão, o alcance que ela tem do mundo se resume à terra. Presa na matéria, no denso, totalmente o avesso de uma linda e sutil borboleta. O chão, a terra, a matéria. O denso, o corpo, o físico, assim como a posse, o ter, o ver, o tocar, ou tudo o que os nossos cinco sentidos conseguem nos provar que existe.


Quantos, de nós seres humanos, estamos ainda vivendo essa fase das lagartas? Agarrados e presos à matéria, rastejando numa densidade que não nos permite vislumbrar, a leveza e sutileza que existe um pouco acima do chão?


No processo nada fácil de nossas vidas, vamos perdendo nossa autenticidade original, e aos poucos vamos deixando de nos reconhecer, nos afastando de quem realmente somos. Sem que percebamos, vamos sendo induzidos a assumir um modelo padrão, dentro de um sistema imposto pela estrutura de poder vigente. Vamos aprendendo a pensar dentro de certas e determinadas caixinhas; e assim engolidos e sendo encaixotados, se perdem em fragmentos a nossa verdadeira identidade.


O filósofo Nietzsche observou já na sua época, que a grande maioria das pessoas, sequer tem a iniciativa de começar uma jornada de autotransformação. Escolhem simplesmente aceitar ordens, abaixar a cabeça, e seguir como membro de uma enorme manada.


E assim caminhamos até os dias atuais, onde ainda permanecemos tragados pelo sistema, famílias, escolas, religiões. Sufocados em meio a múltiplas crenças, vícios, medos, perdendo inclusive o sentido dos valores que nos moldaram até então. E hoje, acrescido pelo poder da internet, muitos se deixam enganar pelas redes sociais, que suscitam uma ilusão com padrões distorcidos de valores e felicidade. Assim então, cada vez mais atados na densidade da matéria, rastejantes, visão encurtada e impossibilitados de felizes caminhadas, chega o cansaço e o tempo de se questionar:


Até quando seremos apenas lagartas?


IV. O casulo.


E então, a lagarta cansada de rastejar, exausta e desiludida, cria e constrói um casulo em volta de si. Se fecha na solidão, despertando o silêncio interior. O externo deixa de existir, e passa a existir somente ela com ela mesma. Sob uma aparente letargia, um latejante pulsar de mutações, angústias, dores e transformações; e num processo solitário e silencioso, uma grande revolução interna se inicia.


Quem sou eu de verdade?


Mergulhada dentro dela mesma, dentro da sua própria existência, vai em busca de algo que sente ter de diferente e verdadeiro, e que precisa ainda ser descoberto.

Apesar de nunca ter sido uma borboleta, o sentimento intimamente ligado à sua autenticidade se manifesta na sua imagem verdadeira; evidenciando e exponenciando a sua essência, que é de fato ser uma borboleta. Porém, sob qualquer aspecto o sofrimento é angustiante, e a vontade de desistir se apresenta em quase todos os momentos.


Entretanto, já está imersa nesse deserto e nesse silêncio ensurdecedor, não podendo então fugir e nem evitar todo o processo. Afinal, se fugir nunca poderá nem vislumbrar o que imagina ser, o voar como uma borboleta. Então entrega-se, e permite a si sentir profundamente todas as turbulências interiores, mesmo sob todos os medos do que está por vir. Determinação e coragem cravados em cada instante percorrido. Sente a vida pulsar intensamente, sente que vive, sente-se crescer, rompendo o casulo e se fazendo enfim renascer.


Assim como a lagarta que se fechou no escuro do seu casulo, onde se derretendo, se destruindo como lagarta para se refazer num novo ser; fazemos também nós seres humanos, em nossas mais profundas e difíceis metamorfoses.

“Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: Como você espera se renovar sem primeiro se transformar em cinzas?” (Friedrich Nietzsche). Nietzsche, um dos filósofos que mais acreditava na capacidade de transformação do ser humano.


V. A borboleta.


E então, o romper do espesso casulo, sai em busca da luz do sol.

O despertar, ainda com seus tímidos movimentos, denunciam a superação de seus próprios limites.

Já não é mais aquele ser denso que andava grudado no chão, seu corpo agora é completamente leve e sutil.

Não é mais da terra, agora é do ar.

Nem sabe ainda o que fazer com suas lindas asas; exercita-se.

É tudo novo, mas sabe que é capaz e vislumbra aonde quer chegar.

E então, numa nova superação de limites, ensaia seu primeiro voo.

Despertando de todo seu processo interno, sabe finalmente quem é, e reconhece o seu lugar neste mundo. Segura de si, sabe da sua essência, e do potencial da sua capacidade.

No resgate de sua autenticidade, recebe o seu dom e a sua habilidade de voar.


Nesse estágio de evolução, não mais será pisoteada como uma lagarta. Essa transformação, a colocou em um nível onde somente os que voam conseguirão estar ao seu lado. Quem se rasteja a verá, somente e tão somente de longe, do chão em que escolheu ficar.


Adquire por natureza sua liberdade, e então voa, voa livre em busca de novas flores, de novos perfumes e de novos jardins; compartilhando, irradiando e distribuindo sua delicada beleza, de forma plena e harmoniosa: eis aqui a borboleta!


VI. Metamorfose.


Metamorfoses: estamos abertos ou fechados a elas?


“Mudar é difícil, não mudar é fatal.” (William Pollard).

Todos nós somos, de certa forma, resistentes às mudanças internas. Aceitar as dificuldades e as responsabilidades, que obrigatoriamente acompanham as mudanças, certamente gera medo e insegurança. Mudar portanto, é difícil. A questão maior é entendermos quão fatal é não mudar. O acreditar que realmente podemos não mudar, é insistir em ficar como lagartas, esquecidas e desprezadas, e em algum momento de nossas vidas, fatalmente sermos pisoteadas.


Ilusão é encarar as coisas como permanentes, pois nossas vidas são um eterno estado de transformação. Com o passar do tempo, vamos entendendo que é mais sábio a não resistência, assim como uma mudança onde participa a nossa vontade como forma de ação. Não havendo a vontade, a mudança se fará compulsoriamente pela necessidade, consequentemente por meio apenas de uma reação, e não de uma ação.


Processos de metamorfoses implicam em movimento, em exploração, é participar de forma consciente na criação da própria existência. É identificar quem somos, é identificar as coisas que deverão ser mudadas ou deixadas para trás, é identificar as pessoas a quem deveremos nos unir, e identificar as que deverão ser afastadas de nós; é a ação em todas as transformações.


É o nascer constante dentro do caminho escolhido e a ser explorado; com calma, com consciência presente, persistindo sempre na conquista da superação de todos os obstáculos.

A cada nascer e renascer, nossa consciência se mantém desperta.

Nosso espírito se expande irradiando sua energia, rompendo e se despindo das densas energias dos casulos. Conquistando as asas da liberdade, que nos leva a receber e a revelar cada vez mais as belezas da Vida, aflorando gradativamente, na manifestação da nossa essência perfeita.

O belo Jardim, é testemunha do encontro de lindas borboletas com as suas mais belas flores; transparecendo a luz do sol, se fazendo radiante, se fazendo luz, se fazendo sol!

Compartilhando a vida, o viver, e o milagre contido no voo dessa encantadora borboleta.


 

Esta é uma obra editada sob aspectos do cotidiano, retratando questões comuns do nosso dia a dia. A crônica não tem como objetivo trazer verdades absolutas, e sim reflexões para nossas questões humanas.

 

Recado da redação


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