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  • Foto do escritorOtavio Yagima

Crônica #75 | A nobreza da ética.

Ação moral.



I. Um encontro inesperado.


O nosso agradável clube de campo, belo e cheio de energia, nos acolhe com sua formosa natureza. A presença encantadora de muitos pássaros, macaquinhos e outras espécies animais, preenchem de vida toda sua grande extensão.

Logo após o almoço resolvemos caminhar em torno do lago e encontramos um velho amigo de classe, descontraído numa solitária pescaria. Paramos para conversar, e foi inevitável falarmos do nosso complicado momento político, com todos os seus consequentes desdobramentos atuais.

Moralidade e imoralidade, presença e ausência de ética. E o assunto girou em torno das atitudes e suas possíveis consequências, pois mostram-se muito complexas as circunstâncias que se apresentam nesta presente data. Hoje, Dia de Finados, 02 de novembro de 2022, pós segundo turno de uma eleição presidencial. Duas forças, dois lados, e o Brasil borbulhando, eclodindo com extrema intensidade as energias contidas em cada habitante deste grande país. Uma luta que transcende a fisicalidade, já imersa numa dimensão, por poucos ainda, percebida.

 

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II. Simplesmente lei.


O nosso Universo, e consequentemente nosso mundo físico, é regido por leis. Uma delas é a lei da gravidade, postulado em fórmula matemática. Não a enxergamos, portanto não é visível para os nossos olhos físicos, mas se faz presente no peso das matérias, atua entre todos os corpos com massa. Se não existissem leis, o vasto universo seria um caos de choques interplanetários. Se não houvesse leis que regessem no nosso microuniverso, o corpo humano, seríamos eternos seres mutantes.

Muitas vezes, o ser humano passa sua vida toda sem perceber, ou nem ao menos questionar o porquê de sua existência. O mundo físico está ordenado por uma legislação perfeita, esplêndida e divina. Tudo existe, tudo acontece porque há uma Lei Regente Primordial.

E a nível humano, existe algo equivalente para nós? Existem leis que fundamentam nossa moralidade?

Não ficamos sabendo que deuses se reuniram, que mestres discutiram, que profetas incutiram leis ditando as regras de moralidade. Então, se não houve acordos como as das leis físicas para explicá-la, a sua existência está num universo maior de tempo e espaço. Está numa dimensão superior, não observável; está inserida numa base não visível aos nossos olhos. Nessa base estão essas leis que regem o comportamento humano, a moralidade, a ética. Então assim, se fez necessário para o homem criar leis nesse mundo, nessa materialidade, leis necessárias para se manter a ordem; normas sociais, para assim punir quem não as cumprisse. Algo que deveria ser nato dentro de cada um de nós, mas que por variados motivos, foi se perdendo.

Quando se contempla as Leis do Universo, sabendo de onde elas vêm e o porquê de respeitá-las, abre-se um forte caminho em direção às atitudes virtuosas; norteando nossas condutas, e nosso modo de agir pautadas sempre na ética.

Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, foi tremendamente forte em algumas de suas colocações, quando diz que o ser humano precisa aprender a direcionar, de forma correta, sua natural sede de poder. Nietzsche buscou e encontrou, em várias línguas, que a etimologia da palavra bom ou bem é nobreza, que vem de nobre. E nas várias sociedades do passado, essa nobreza era a base da moral, a base da ética.

Desde aquela época e mesmo atualmente, não se manteve a nobreza no poder, então consequentemente a sociedade espelhada nessa postura, perdeu-se nos valores, ignorando o que é bem, o que é nobre.

É muito interessante sua observação em relação à ética nobre, aos comportamentos dos homens nobres; e dos comportamentos da ética do ressentimento, dos homens escravos; que ele chama de moral nobre e moral do escravo, respectivamente.

Ele extraiu das civilizações clássicas, do passado, suas ideias de nobreza; e então percebemos o quanto de semelhança existe com a nossa atualidade, apesar de tanto tempo decorrido desde aquelas épocas.

Nosso bate papo continuou entre assuntos de economia, passando para casamento, família e filhos.

- “Pai sempre será pai e filhos sempre serão nossas eternas crianças.”

Concordei imediatamente com essa afirmativa dando um largo sorriso, que foi devolvido de repente, com um semblante mais triste. Expõe sua preocupação com o futuro dos filhos, apesar de adultos, formados e bem-sucedidos.

- “Se estão bem, então não haveria de se preocupar, meu velho amigo. Você está vivendo seu momento e colhe por merecimento, essa bela pescaria” assim respondi.

- “Por minha causa, a empresa dele sofreu uma série de graves problemas. Na indicação do filho de um velho amigo, com mais de 30 anos de amizade, para trabalhar na empresa; ele quase a levou à falência. Foram tantos golpes sujos, que nos questionamos por muitas vezes, de onde conseguia surgir tanta crueldade e imoralidade. A sua presença doentia foi crescendo e contaminando todos ao seu redor.”

Nietzsche nos trouxe em seu conceito de moral nobre, que ela era baseada no sim para si mesmo.

O homem nobre, o homem feliz por ser o que é, o que gosta de si próprio, aquele que não precisa se espelhar ou se comparar com outros, o de atitudes positivas.

Em contrapartida, a moral do escravo, era baseada no não ao outro. Do homem que é infeliz pelo que ele é, do homem frustrado, ressentido. É sempre ressentido porque o outro é uma ameaça a ele, porque não aceita que o outro seja melhor que ele. Cria em torno de si um círculo vicioso que o mantém preso às suas negatividades, puxando para baixo as pessoas, rebaixando-as para não se sentir tão inferiorizado. Na incapacidade de subir ao grau do outro, opta por arrastá-lo para baixo.

Contaminada pela inveja, essa moral escrava do ressentimento é destruidora, tanto para si como para os outros que se deixam levar.

Somos interrompidos pela passagem de um outro velho amigo, que vai chegando e logo se lamentando; e ao mesmo tempo, achando surpreendente todas as manifestações do povo nas ruas de todo Brasil.

- “Que loucura se instalou em todo nosso país!”

Assim, novamente voltamos à política dos nossos dias.

Por mais que tenhamos tido evolução, incluindo a evolução de nós seres humanos, a impressão que permanece, é a de que nada evoluímos desde tempos remotos. No entanto, isso não é verdade. Houve sim muito progresso, mas, vamos levar em conta apenas essa sensação que parece se apossar de nós.

Parece que vivemos quase que totalmente mergulhados, numa sociedade onde prevalece mais a ação da moral escrava, uma sociedade dos escravos. Daquele que reage com ressentimento, reagindo e sempre tentando denegrir e desvalorizar o outro. Com ações furtivas, camufla-se para atacar pelas costas.

O homem nobre age com sinceridade e honestidade, com tendência a uma certa imprudência. Afirma Nietzsche, que o de moral do escravo não é honesto nem consigo mesmo; articula e manipula sempre a seu favor. Sua felicidade é baseada na preguiça, na inércia, na lei do menor esforço, então, quanto menos tiver que se movimentar, melhor para ele.

Não somente a nossa sociedade, mas a humanidade em geral, carece de moral nobre, a nobreza do bom, do correto, do justo; pois a ética se fundamenta nessa nobreza.

O homem só vai ser ético quando estiver conscientizado com a ideia do bem.

No interior do homem sempre haverá guerras e conflitos, e é em meio a esses conflitos, que despontarão suas atitudes. As almas fortes impõem princípios, e as fracas paixões.

E as paixões desenfreadas do ser intitulado filho do amigo, eram muitas, tantas, que mais uma vez não foi suportado por ele mesmo. O poder que ele acreditava possuir, corrompeu ainda mais seu deplorável caráter. A empresa como um todo, sofreu com os reflexos de seus nocivos comportamentos, das ideias sempre contraditórias que foram sendo plantadas nas pessoas, de diversas formas e nos diversos setores. Em pouquíssimo tempo o caos se instalou, e sua podridão começou a despontar eclodindo em conflitos e discórdias; por onde se procurasse estava lá o denominador comum das manipulações, o próprio, o filho do amigo. Por onde caminhou deixou rastros de destruição, manifestando o tamanho da sua monstruosidade.

Nesse momento, meu amigo se emociona e diz com pesar:

- “Jamais imaginei que um ser que se mostrava tão solícito e agradável, pudesse ser uma laranja tão podre, com o poder de levar para a podridão os que o rodeavam.” Mente minúscula, egoísta, vaidade e ego exacerbados e sempre muito inflados, assim ele se mostrou escravo dos próprios valores distorcidos.

Para Aristóteles, filósofo grego, a nossa atitude é fruto da liberdade, e a ética é própria de homens livres. Mas como um homem, que se encontra dentro da moral do escravo, seria livre de fato? Os homens não deveriam apenas agir ou obedecer sem um devido entendimento, o que nos faz evoluir é sempre pela consciência que se cria em torno de algo.

O respeito, a bondade, a empatia, a responsabilidade, a humildade, as virtudes jamais devem ser uma imposição, não podem ser coagidas ou obrigadas a se ter; precisam ser fruto de uma escolha livre.

Ser ético é uma construção diária, todos nós precisamos a todo momento exercitá-las, compreendê-las e alimentá-las através de pensamentos, atitudes e ações. Alimentar e desenvolver o que de fato é humano em nós, nos humanizar, sermos verdadeiros seres humanos... essa é uma função da ética.

Spinoza, filósofo holandês, nos traz o pensamento de que podemos aumentar nossa potência, através da prática das virtudes. Que fomos feitos capazes de canalizarmos uma potência divina; que as virtudes nos dão esse poder, e é isso que a Natureza espera de nós, seres humanos.

Aristóteles nos diz que, sem discernimento não há excelência moral. Se o homem não sabe o que está fazendo, não há como ele ter uma ação ética. O discernimento nos proporciona desenvolvimento moral e nos livra da escravidão. Quando optamos de forma consciente por uma atitude virtuosa, seremos homens éticos, seremos homens livres.

Meu amigo puxa sua respiração lá do fundo da sua alma, ergue suas sobrancelhas com um semblante ainda melancólico, balança a cabeça, como que dizendo que ainda teria mais a desabafar.

Nos oferece uma bebida e uns petiscos diferentes.

E então, continua expondo o seu pensamento.

O filho do amigo não se contentando com todo o caos armado, ainda subtraiu muitas coisas valiosas que havia pedido como emprestadas, e logicamente não devolvidas. Do que se levantou ter se apoderado, surgiu ainda outros muitos itens levados durante o período que ali permaneceu. Se uma pessoa pega uma coisa emprestada já com a intenção de não devolver, não deixa de ser um roubo. Lamentável ação, onde se presencia além da manipulação, a mentira, a traição, e totalmente despida de qualquer tipo de respeito.

Pobre ser doente, que na sua profunda angústia de vida, vive a atacar os outros, refletindo assim toda a sua desarmonia consigo mesmo.

A intenção! Em todas as ações existe uma motivação A escolha está oculta, a decisão não está aparente, e os atos serão medidos pela intenção, a real intenção que a ninguém se mostrará, senão para a própria pessoa.

O que faz o ser humano definir a sua intenção?

Qual o critério de valor que define uma atitude à outra?

A moralidade e a intenção tendem e andam sempre juntas, uma se entrelaça à outra.

Meu amigo agora sorrindo me diz:

- “Apesar de toda tristeza e sofrimento causados, não fomos derrotados.”

Para os de boa vontade sempre existirá uma solução, sempre existirão novas portas se abrindo.

A luz prevaleceu, iluminando e eliminando a escuridão que havia sido trazida. Muitos desdobramentos surgiram em função de todo o inferno que havia se instalado, porém, o inferno e todos os detritos por ele provocados promoveram uma verdadeira faxina na empresa, a saída do filho do amigo foi como uma avalanche, levando com ele todos os seus afins.

E então, após toda essa estressante fase de vida, confessa o quanto aquele fato os fez se unirem, não somente como família, mas em busca de orientações, de soluções e de forças para superação. Apesar de todo o desgaste vivido, entenderam o pandemônio como uma experiência muito rica a nível de escola da vida, onde de forma sofrida sentiram o quão nocivo é a presença de uma pessoa com ausência de virtudes, com ausência de ética e consequentemente vazia de moralidade.

Se conseguirmos confiar e percebermos tudo como necessário, assim como a perfeição e a ordem como funciona o nosso Universo, veremos que tudo tem um sentido, e uma razão de ser e acontecer. Assim sendo, teremos mais segurança, valorizaremos mais os seres éticos e seremos mais felizes também.

 

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III. A beleza da compreensão.


Mais uma vez, entender e contemplar as Leis do Universo!

Entendê-las, compreendê-las e obedecê-las de forma consciente, talvez assim possamos conquistar a nobreza, nos tornarmos homens nobres, estarmos inseridos no que Nietzsche chama de moral nobre.

Por que precisamos ser éticos? O que seria ser ético?

De uma maneira bem simples, ser ético seria se comportar de acordo com os valores morais da sociedade em que se está inserido; estando a ética ligada com todas as relações sociais, com o trabalho, com a política etc. Indo um pouco além, a ética reflete nossa forma de ser, o nosso caráter, pois independente da obrigação de seguir as normas impostas pela sociedade, estaria intrínseco o dever de cumpri-las por livre e espontânea vontade, por estar consciente dos verdadeiros valores, aqueles que nos apresentam como absolutos e não como relativos.

Kant, filósofo prussiano, trouxe um importantíssimo ponto de vista da ética.

A máxima do imperativo categórico assim é, Lei Universal: “Aja como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal.”

Ele quer dizer que uma ação moral deve obedecer a essa máxima. Para tal devemos nos perguntar se a atitude que vamos tomar pode ou não ser elevada à uma lei universal. Essa atitude como lei universal, beneficiaria ou prejudicaria a humanidade? Se fosse seguida pelos humanos seria bom, promoveria uma sociedade melhor, ou não?

A verdadeira atitude moral, precisa poder sempre e a qualquer momento, ser universalizada. Portanto, não havendo a possibilidade de abertura para qualquer exceção, a nenhuma particularidade; se assim for, já deixaria de ser universal. A imoralidade se infiltra através da abertura dessas brechas.

Independentemente de qualquer coisa, fazer o certo, o correto, o justo.

É o caminho mais reto, é o caminho mais curto.

Fazer o certo porque é o certo, justamente e simplesmente assim!

E para você? O que é a ética?



Confira a última crônica da nossa coleção - Crônica #74 | A arte da guerra interior.

 

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Que tal baixar e compartilhar trechos dessa crônica com a galera?



 

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Nosso cronista Otavio Yagima fez uma participação especial, e o encontro está imperdível; confira no player aqui embaixo e também visite as demais postagens no YT da neo!



 

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