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Quando os games inspiram a vida real | O journaling de The Last of Us e Red Dead Redemption 2

Foto do escritor: Redação neonews
Redação neonews
há 16 horas
3 min de leitura

Muito além de um diário comum, o journaling ajuda a organizar pensamentos, processar emoções e ganhou força entre jogadores por causa de personagens como Ellie e Arthur Morgan



The Last of Us
The Last of Us

(Foto: Divulgação)


Quem já explorou os mundos de The Last of Us, Red Dead Redemption 2 ou Life is Strange provavelmente já parou alguns minutos apenas para folhear o diário de um personagem. Nessas páginas estão rabiscos, desenhos, reflexões e acontecimentos que ajudam a contar uma história muito além das cutscenes.


O que muita gente talvez não saiba é que esse recurso narrativo existe também fora dos games e tem nome: journaling. A prática, que consiste em registrar pensamentos, emoções e experiências, vem ganhando espaço como uma ferramenta de organização pessoal e autoconhecimento, sem exigir regras rígidas ou textos elaborados.


Segundo especialistas citados pelo Estadão, a ideia não é criar um diário perfeito, mas encontrar um espaço para colocar no papel aquilo que ocupa a mente.


Diário de Max Caufield em Life is Strange
Diário de Max Caufield em Life is Strange

(Foto: Divulgação)


O que é journaling?


Diferente da imagem tradicional de um diário cheio de relatos cronológicos, o journaling funciona como um registro livre. Vale escrever uma página inteira, três linhas antes de dormir, fazer desenhos ou simplesmente listar pensamentos que surgiram durante o dia.


O objetivo costuma ir além de responder "o que aconteceu hoje". A prática também abre espaço para refletir sobre como determinado acontecimento afetou quem escreve, permitindo observar emoções, preocupações e até objetivos futuros.


Esse formato flexível explica por que não existe um jeito certo de começar: o importante é encontrar uma forma de registro que faça sentido para cada pessoa.


O que os games têm a ver com isso?


Nos videogames, os diários costumam revelar lados dos personagens que dificilmente apareceriam apenas durante a ação.


O caderno de Arthur Morgan, em Red Dead Redemption 2, mistura desenhos e reflexões que mostram uma versão muito mais sensível do protagonista. Em The Last of Us Part II, Ellie usa o diário para registrar sentimentos, medos e acontecimentos marcantes da jornada. Já Max Caulfield, de Life is Strange, transforma suas anotações em uma combinação de escrita, ilustrações e fotografias.


The Last of Us 2
The Last of Us 2

(Foto: Divulgação)


Em outros títulos, como The Witcher 3, Baldur's Gate 3 e Elden Ring, os journals também funcionam como registros de progresso, ajudando o jogador a acompanhar missões, personagens e acontecimentos importantes depois de horas longe da aventura.


Essa liberdade criativa é justamente uma das características que muitos levam para a prática na vida real.


Como a escrita pode ajudar


A psicóloga Lisa Guerra, que relacionou o tema aos videogames em um vídeo sobre psicologia e cultura pop, explica que escrever pode ajudar a criar distância em relação aos próprios pensamentos.


Em vez de deixar preocupações circulando apenas na mente, colocá-las no papel permite enxergá-las de outro ângulo. Isso não significa encontrar uma solução imediata para todos os problemas, mas organizar aquilo que antes parecia confuso.


Pesquisas e materiais educacionais citados pelo Estadão também apontam possíveis benefícios associados à prática, como:


  • organizar pensamentos;

  • processar emoções;

  • acompanhar objetivos pessoais;

  • reconhecer padrões de comportamento;

  • lidar melhor com situações estressantes.


Os especialistas reforçam, porém, que o journaling não substitui acompanhamento psicológico quando ele é necessário. Ele pode funcionar como uma ferramenta complementar de reflexão.


Como começar sem complicação


Um dos maiores erros de quem tenta começar costuma ser transformar o journaling em mais uma obrigação da rotina.


A recomendação é começar pequeno. Três ou cinco minutos já são suficientes para criar o hábito, sem a pressão de escrever páginas inteiras todos os dias.


Também não é preciso comprar um caderno específico. Vale usar:


  • bloco de notas do celular;

  • Google Docs;

  • Notion;

  • aplicativos dedicados, como Day One ou Diarium;

  • um caderno comum.


O mais importante é escolher um formato que seja fácil de acessar.


Quando faltar inspiração


Nem sempre é simples saber o que escrever. Algumas perguntas podem servir como ponto de partida:


  • O que está ocupando minha cabeça hoje?

  • O que mais me marcou neste dia?

  • O que aprendi?

  • Como estou me sentindo agora?

  • No que quero focar amanhã?


A ideia não é responder todas elas, mas usar uma delas para iniciar a escrita quando a página em branco parecer intimidadora.


Arthur Morgan, de Red Dead Redemption 2
Arthur Morgan, de Red Dead Redemption 2

(Foto: Divulgação)


Não existe um jeito certo


Talvez seja justamente aí que o journaling encontre sua maior semelhança com os diários dos videogames.


Assim como Arthur Morgan desenha paisagens, Ellie registra emoções e Max mistura texto com imagens, cada pessoa pode construir um diário com a própria personalidade. O registro pode ser minimalista, artístico, caótico ou organizado, desde que cumpra sua principal função: tirar os pensamentos da cabeça e transformá-los em algo que possa ser revisitado depois.


No fim das contas, o journaling funciona menos como uma regra e mais como um espaço pessoal. Afinal, assim como acontece nas melhores aventuras dos games, às vezes basta registrar a própria jornada para enxergar melhor o caminho percorrido.



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