Brasil vira um dos principais alvos de ataques cibernéticos e IA impulsiona nova onda de golpes

Relatório aponta que o país ocupa a terceira posição no ranking global de ataques cibernéticos e acende alerta para fraudes com Pix e desinformação

(Foto: Divulgação)
O Brasil passou a ocupar uma posição preocupante no cenário da segurança digital. Segundo um novo levantamento da empresa de cibersegurança Trellix, o país aparece como o terceiro mais atingido por incidentes cibernéticos públicos no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.
O estudo analisou ocorrências registradas entre o fim de 2025 e o início de 2026 e indica que o Brasil concentrou 3,45% dos casos globais, um reflexo da crescente sofisticação dos criminosos digitais e da ampliação do uso de inteligência artificial em golpes e invasões.
IA torna golpes mais rápidos e difíceis de detectar
Uma das principais conclusões do relatório é que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de inovação e passou a acelerar operações criminosas.
Os invasores conseguem usar IA para modificar códigos maliciosos rapidamente, criar mensagens de phishing mais convincentes e automatizar fraudes em larga escala. Isso reduz a eficácia de sistemas tradicionais de proteção, que costumam identificar apenas ameaças já conhecidas.

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Segundo Rodrigo Buosi, country manager da Trellix no Brasil, os criminosos passaram a mirar especialmente o ecossistema de identidade digital brasileiro, combinando roubo de credenciais, engenharia social e IA para ampliar o alcance dos ataques.
Pix continua entre os principais alvos
O sistema de pagamentos instantâneos permanece como um dos focos dos golpistas.
As fraudes mais comuns envolvem mensagens falsas, roubo de dados de acesso e tentativas de convencer vítimas a realizar transferências acreditando estarem lidando com empresas ou instituições legítimas.
O relatório destaca que essas campanhas se tornaram mais sofisticadas justamente porque agora podem ser personalizadas automaticamente para diferentes perfis de usuários.
Ataques usam ferramentas do próprio Windows
Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores é a mudança de estratégia dos invasores.
Em vez de depender apenas de programas maliciosos tradicionais, muitos grupos passaram a explorar ferramentas nativas do Windows e serviços legítimos de computação em nuvem para movimentar arquivos e acessar informações sem despertar suspeitas.
Essa técnica dificulta a identificação das invasões, já que grande parte das ações acontece utilizando recursos normalmente presentes no ambiente corporativo.

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Governo e telecomunicações lideram as detecções
Os impactos variam conforme o setor, mas alguns segmentos aparecem como os mais visados.
Nos primeiros meses de 2026, a distribuição das detecções ficou assim:
Setor | Participação |
Governo | 39% |
Telecomunicações | 33% |
Instituições financeiras | 16% |
Serviços | 6% |
Educação | 6% |
A presença do setor público no topo da lista reforça a preocupação com ataques direcionados a estruturas críticas e serviços essenciais.
Eleições ampliam preocupação com desinformação
O cenário político também entra no radar dos especialistas.
Com ferramentas de IA capazes de produzir imagens, vídeos e vozes sintéticas altamente realistas, cresce o receio de campanhas de desinformação, golpes de engenharia social e tentativas de manipulação digital durante períodos eleitorais.
Segundo o relatório, esse é um novo contexto para o Brasil, já que tecnologias generativas estão mais acessíveis do que em pleitos anteriores.
Como empresas podem reduzir os riscos
Diante desse cenário, os especialistas defendem que organizações abandonem uma postura apenas reativa e passem a investir em monitoramento contínuo.
Entre as principais recomendações estão:
reforçar a proteção de identidades corporativas;
controlar permissões concedidas a assistentes baseados em IA;
monitorar comportamentos incomuns nas contas de usuários;
detectar tentativas de acesso suspeitas antes que invasores se estabeleçam nos sistemas.
A avaliação da Trellix é que os ataques devem continuar evoluindo à medida que ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis, exigindo estratégias de defesa que acompanhem a velocidade das novas ameaças digitais.


