Ray-Ban Meta é alvo de denúncia por possível violação de privacidade no Brasil
- Redação neonews

- há 4 horas
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O Idec e a Coding Rights pedem que órgãos federais investiguem se os óculos Ray-Ban Meta colocam direitos fundamentais em risco

(Foto: Divulgação)
Os óculos inteligentes Ray-Ban Meta entraram na mira de órgãos de defesa do consumidor e proteção de dados no Brasil. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Coding Rights protocolaram uma denúncia junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ao Ministério Público Federal (MPF) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) pedindo uma investigação sobre possíveis violações de privacidade envolvendo o dispositivo.

(Foto: Divulgação)
Por que os óculos estão sendo questionados?
O principal argumento do Idec e da Coding Rights é que gravar alguém com um celular costuma ser uma ação visível, permitindo que a pessoa perceba e reaja à situação. Nos Ray-Ban Meta, porém, a gravação pode ser iniciada por um toque na armação ou por comandos rápidos, tornando a captura muito menos perceptível.
Embora o dispositivo conte com um LED que acende durante a gravação, as organizações afirmam que ele só é facilmente percebido por quem está olhando diretamente para a armação e em boas condições de iluminação.
“A filmagem imperceptível não cria um risco novo em terreno neutro. É mais uma ferramenta que habilita o crescimento da violência de gênero”, afirmou Joana Varon, diretora da Coding Rights.
Meta já tentou impedir alterações no LED
A denúncia também cita que já foram identificadas formas de ocultar o indicador luminoso responsável por avisar quando a câmera está gravando. A própria Meta reconheceu anteriormente essas tentativas e lançou atualizações para dificultar esse tipo de modificação, mas novos métodos continuam surgindo, segundo as entidades.

(Foto: Divulgação)
Casos registrados no Brasil reforçam preocupação
O documento enviado aos órgãos federais menciona episódios que aconteceram no país envolvendo o uso dos óculos para gravações sem consentimento.
Um dos casos citados ocorreu em Salvador (BA), onde um médico ginecologista foi denunciado por utilizar o acessório durante o atendimento de uma paciente.
Para o Idec, situações como essa mostram que o problema vai além da tecnologia em si.
“Não estamos falando de um detalhe técnico menor, mas de direitos fundamentais como dignidade, privacidade e intimidade”, declarou Julia Abad, representante da entidade.
O que pode acontecer agora?
As organizações pedem que a ANPD, o MPF e a Senacon abram procedimentos para avaliar se a venda dos Ray-Ban Meta respeita a legislação brasileira de proteção de dados e defesa do consumidor.
Os óculos inteligentes começaram a ser vendidos oficialmente no Brasil em 2025, com preço na faixa de R$ 3,3 mil, oferecendo recursos como fotos, vídeos em alta resolução e integração com inteligência artificial.
Debate também acontece fora do Brasil
As preocupações sobre os Ray-Ban Meta não são exclusivas do mercado brasileiro. O dispositivo já esteve no centro de discussões internacionais após relatos de gravações sem autorização em ambientes privados e polêmicas envolvendo vídeos íntimos feitos com os óculos.

(Foto: Divulgação)
Agora, com a denúncia apresentada às autoridades brasileiras, o caso pode abrir uma nova frente de discussão sobre como dispositivos vestíveis com câmeras devem ser regulados no país.


