Por que a inteligência artificial consome tanta energia e água?
- Redação neonews

- 24 de jul.
- 3 min de leitura
Por trás de cada pergunta feita a um chatbot existe uma enorme infraestrutura de data centers que funciona 24 horas por dia e exige eletricidade e sistemas de resfriamento em larga escala

(Foto: Divulgação)
A inteligência artificial faz parte da rotina de milhões de pessoas. Seja para tirar dúvidas, criar imagens, resumir textos ou até programar, basta alguns segundos para receber uma resposta. O que muita gente não vê é que, por trás dessa praticidade, existe uma estrutura gigantesca que consome enormes quantidades de energia elétrica e água.
Cada interação com uma IA ativa servidores instalados em grandes data centers espalhados pelo mundo. Esses equipamentos realizam milhões de cálculos por segundo e precisam permanecer ligados continuamente para atender usuários em tempo real.

(Foto: Divulgação)
Os "cérebros" da inteligência artificial
Os data centers são enormes instalações que abrigam milhares de servidores responsáveis por armazenar informações e processar os modelos de inteligência artificial.
Diferente de um computador comum, eles utilizam processadores extremamente potentes, principalmente GPUs, as mesmas placas de vídeo usadas em games, mas adaptadas para executar bilhões de cálculos simultaneamente.
É justamente essa capacidade que permite que ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e outros assistentes respondam quase instantaneamente às solicitações dos usuários.
Por que a IA gasta tanta energia?
O consumo elevado acontece por dois motivos principais.
O primeiro é o treinamento dos modelos. Antes de uma IA responder perguntas, ela passa semanas ou até meses sendo treinada em milhares de computadores funcionando ao mesmo tempo.
O segundo, e hoje o mais importante, é o uso diário. Cada pergunta enviada para um chatbot exige que milhares de operações matemáticas sejam realizadas em poucos segundos. Como bilhões de pessoas utilizam essas ferramentas todos os dias, o gasto energético cresce constantemente.
Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers consumiram cerca de 415 terawatt-hora (TWh) de eletricidade em 2024, aproximadamente 1,5% de toda a energia produzida no planeta. A expectativa é que esse número dobre até o fim da década.
E onde entra a água nessa história?
Toda essa capacidade de processamento gera muito calor.
Se os servidores superaquecessem, deixariam de funcionar em poucos minutos. Para evitar isso, muitos data centers utilizam sistemas de resfriamento que fazem circular milhares, às vezes milhões, de litros de água diariamente.
Em instalações menores, o resfriamento pode ser feito apenas com grandes sistemas de ventilação. Já os centros dedicados à inteligência artificial costumam utilizar placas líquidas instaladas diretamente sobre os processadores ou até tanques especiais onde os equipamentos ficam submersos em fluidos que dissipam o calor.
Em alguns casos, um único data center pode consumir diariamente uma quantidade de água semelhante à de uma pequena cidade.

(Foto: Divulgação)
O impacto ambiental preocupa
Além do consumo de água, existe outra preocupação: a origem da energia.
Embora empresas como Google, Microsoft, Amazon e Meta estejam investindo cada vez mais em fontes renováveis, parte dos data centers ainda depende de eletricidade produzida por combustíveis fósseis, aumentando as emissões de carbono.
Outro desafio é o descarte dos equipamentos. GPUs e servidores possuem vida útil relativamente curta e geram grandes volumes de lixo eletrônico quando substituídos por novas gerações.
Como as empresas tentam reduzir esse impacto?
As gigantes da tecnologia vêm investindo em soluções para tornar seus data centers mais eficientes.
Entre elas estão:
uso de energia solar, eólica e nuclear;
sistemas de resfriamento que reutilizam água;
novos chips capazes de realizar mais cálculos consumindo menos energia;
modelos de inteligência artificial menores e mais especializados, que exigem menos processamento.
Apesar desses avanços, especialistas apontam que a demanda por IA cresce em um ritmo ainda maior do que os ganhos de eficiência.
O futuro da IA depende de equilíbrio
A inteligência artificial veio para ficar e tende a fazer parte de cada vez mais serviços do dia a dia. Porém, junto com a evolução da tecnologia, cresce também a discussão sobre seu impacto ambiental.
O grande desafio dos próximos anos será encontrar formas de expandir a capacidade da IA sem aumentar, na mesma proporção, o consumo de energia e água. Afinal, por trás de cada resposta gerada em poucos segundos existe uma infraestrutura gigantesca que funciona ininterruptamente para manter essa tecnologia disponível para bilhões de pessoas.


