Crítica | O Cavaleiro dos Sete Reinos, Quando Westeros reencontra a aventura e o coração
- Redação neonews

- há 4 dias
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Menos intrigas, mais honra: a série O Cavaleiro dos Sete Reinos que devolve alma, leveza e emoção ao universo de George R.R. Martin

(Foto: Divulgação)
Depois de anos marcados por finais polêmicos, disputas de poder excessivamente sombrias e uma certa rigidez narrativa, O Cavaleiro dos Sete Reinos surge como um respiro inesperado dentro do universo de Westeros. A série da HBO chega em um momento delicado para os fãs, ainda órfãos de respostas literárias e cautelosos com novas adaptações. Justamente por isso, seu maior mérito está em não tentar competir com Game of Thrones ou A Casa do Dragão, mas em escolher um caminho próprio, mais simples, humano e surpreendentemente envolvente. Aqui seria um ótimo ponto para inserir uma imagem de abertura da série ou um vídeo teaser, reforçando essa mudança de tom logo de cara.
Baseada na obra homônima de George R.R. Martin, a trama acompanha Sor Duncan, o Alto, e sua improvável amizade com Egg, um garoto inquieto, curioso e cheio de personalidade. A temporada se apoia na história “O Cavaleiro Errante”, apresentando Dunk como um jovem que sonha em ser reconhecido como cavaleiro, mesmo sem linhagem ou prestígio, enquanto Egg enxerga nele um exemplo raro de honra em um mundo cada vez mais cínico. A relação entre os dois é o eixo central da narrativa e funciona com uma naturalidade que conquista desde os primeiros minutos.
Tecnicamente, a série acerta ao optar por episódios mais curtos, entre 30 e 35 minutos, o que garante ritmo ágil e evita a sensação de arrasto comum em produções épicas. A direção prefere planos mais abertos durante as jornadas e justas, valorizando o espírito aventureiro, enquanto os momentos íntimos entre Dunk e Egg são tratados com delicadeza. A fotografia aposta em tons mais claros e terrosos, afastando-se do visual excessivamente escuro das produções recentes de Westeros. Uma boa imagem de uma justa ou de Dunk e Egg na estrada funcionaria perfeitamente neste trecho.
O maior acerto da série está na decisão de manter o foco quase exclusivo na dupla protagonista. Peter Claffey entrega um Duncan carismático, ingênuo e profundamente humano, enquanto Dexter Sol Ansell transforma Egg em um personagem memorável, misturando humor, ousadia e emoção. A diferença física entre os dois rende cenas divertidas, mas também simboliza o contraste entre força bruta e inteligência, experiência e curiosidade. A amizade cresce de forma orgânica, sustentada por diálogos simples e situações que equilibram leveza e significado.
Mesmo adotando um tom mais leve, O Cavaleiro dos Sete Reinos não ignora o peso de Westeros. As grandes casas continuam presentes, com destaque para os Targaryen, que desempenham papel importante na trama. Personagens como Lyonel Baratheon, vivido com carisma por Daniel Ings, ajudam a manter o elo com o universo maior criado por Martin. A série entende que não precisa abandonar sua mitologia para ser diferente, apenas reinterpretá-la sob outra perspectiva.

(Foto: Divulgação)
A escolha por uma narrativa de aventura clássica, quase de capa e espada, devolve à franquia uma sensação de novidade. Há ecos claros de histórias mais otimistas, lembrando filmes como Coração de Cavaleiro, sem jamais descaracterizar o mundo brutal em que esses personagens vivem. O humor é bem dosado, a emoção surge sem manipulação e a trilha sonora, especialmente quando reutiliza temas clássicos da franquia, provoca arrepios sinceros. Uma imagem ou vídeo desse momento musical específico, especialmente no quarto episódio, seria um destaque poderoso aqui.3
Ao final, O Cavaleiro dos Sete Reinos prova que ainda há muito a ser explorado em Westeros além de traições e massacres. Ao apostar na amizade, na honra e na jornada pessoal, a série resgata uma empolgação quase inocente, mas profundamente eficaz. Ela entende seu legado, brinca com ele e, ao mesmo tempo, aponta um caminho promissor para o futuro das adaptações de George R.R. Martin na HBO.
Opinião pessoal: "Com essa nota, eu sinto que a série acerta onde muitas erraram: ela emociona sem forçar, diverte sem banalizar e respeita o universo sem ficar prisioneira dele. O Cavaleiro dos Sete Reinos me fez lembrar por que me apaixonei por Westeros lá atrás, não pelo choque, mas pelas histórias."
Você prefere Westeros sombrio e político ou essa versão mais aventureira e humana?
Ficha Técnica
Nome: O Cavaleiro dos Sete Reinos
Tipo: Série
Onde assistir: HBO Max
Categoria: Drama
Duração: 1 Temporada
Nota 4/5


