Crítica | Michael
- Redação neonews
- há 19 horas
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O mito e o homem: quando o brilho do palco esconde o peso de existir. Uma cinebiografia grandiosa que encanta com música, mas hesita em encarar as sombras de uma das figuras mais complexas da cultura pop; Michael Jackson

(Foto: Divulgação)
Poucos nomes carregam tanto impacto quanto Michael Jackson. Em Michael, cinebiografia dirigida por Antoine Fuqua, o desafio não é apenas contar uma história, mas traduzir uma lenda. O filme surge respaldado por um modelo já consagrado em Hollywood, especialmente após o sucesso de Bohemian Rhapsody, e rapidamente deixa claro que pretende seguir essa mesma estrutura: um espetáculo musical envolvente que transforma a vida do artista em uma experiência quase de karaokê emocional.
A narrativa percorre a ascensão de Michael desde os tempos do Jackson 5 até o auge de sua carreira solo nos anos 1980, culminando na era de “Bad”. Essa escolha de recorte funciona como uma celebração de seus maiores sucessos, mas também revela uma decisão estratégica de evitar os momentos mais controversos de sua vida. Logo após essa introdução, seria interessante inserir um vídeo com uma das performances musicais, já que são elas que sustentam boa parte do impacto do filme.

(Foto: Divulgação)
Tecnicamente, Michael é preciso e calculado. A montagem segue um ritmo quase musical, alternando entre grandes números e momentos mais íntimos, ainda que estes últimos sejam menos explorados. A fotografia aposta em contrastes entre o palco e os bastidores, reforçando a ideia de que existe uma distância entre o artista e o homem. Inserir uma imagem nesse trecho, especialmente de um momento de bastidor, ajudaria a ilustrar essa dualidade que o filme tenta construir.
O grande problema está justamente nessa construção. O roteiro opta por sugerir conflitos em vez de enfrentá-los. Pequenos sinais são apresentados ao longo da narrativa, como o isolamento crescente, a relação conturbada com a família e a transformação física e emocional do artista. No entanto, esses elementos nunca se desenvolvem completamente, funcionando mais como presságios do que como parte ativa da história. O resultado é um retrato que flerta com a profundidade, mas prefere permanecer na superfície.
As atuações, por outro lado, são um dos pontos mais fortes. Jaafar Jackson surpreende ao interpretar Michael com uma naturalidade impressionante, evitando caricaturas e apostando em uma mimetização mais sensível. Já Colman Domingo entrega um Joe Jackson intenso e quase teatral, adicionando tensão sempre que está em cena. É nesse contraste entre performances que o filme encontra parte de sua força dramática.

(Foto: Divulgação)
Sentimentalmente, Michael funciona como uma homenagem. Ele celebra o talento, a genialidade e o impacto cultural de um artista que redefiniu a música pop. No entanto, ao optar por uma abordagem mais segura e higienizada, o filme limita sua própria potência emocional. Existe uma sensação constante de que estamos vendo apenas uma versão cuidadosamente editada de uma história muito mais complexa.
No fim, Michael é um espetáculo que encanta, mas não se aprofunda. Ele cumpre seu papel de entreter, emocionar e revisitar momentos icônicos, mas deixa a sensação de que poderia ter ido além. É um filme que reforça o mito, mas que hesita em revelar o homem por trás dele.
Opinião pessoal: "Fica aquela sensação de frustração difícil de ignorar. O filme até tem momentos bonitos e tecnicamente bem feitos, mas parece vazio quando você termina de assistir. Faltou coragem para se aprofundar, faltou emoção de verdade e, principalmente, faltou aquele impacto que uma história como essa merecia. É o tipo de experiência que passa rápido, mas também não deixa nada pra levar depois."
Você acha que cinebiografias devem mostrar toda a verdade, mesmo que desconfortável, ou é válido preservar o legado do artista?
Ficha Técnica
Nome: Michael
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinemas
Categoria: Musical / Drama Musical
Duração: 2hrs 07 min
Nota 2/5