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Crítica | A Morte de Robin Hood

  • Foto do escritor: Redação neonews
    Redação neonews
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Hugh Jackman entrega um Robin Hood marcado pela culpa em um épico que troca a aventura pela intimidade e transforma uma das maiores lendas medievais em uma história sobre arrependimento, violência e busca por redenção


A Morte de Robin Hood
A Morte de Robin Hood

(Foto: Divulgação)


Existem personagens tão conhecidos que parecem pertencer mais à imaginação coletiva do que às histórias que originalmente os criaram. Robin Hood é um deles. Ao longo dos anos, o arqueiro que roubava dos ricos para ajudar os pobres ganhou inúmeras versões no cinema, quase sempre associado à aventura, às batalhas e ao heroísmo. Em A Morte de Robin Hood, porém, Michael Sarnoski decide abandonar boa parte dessa fantasia e olhar para o homem por trás da lenda. Interpretado por Hugh Jackman, Robin surge velho, ferido e cansado, carregando o peso de uma vida marcada pela violência. É uma escolha corajosa, porque transforma uma história que poderia ser sobre glória em um filme sobre as consequências de buscá-la.


A direção de Sarnoski deixa essa intenção evidente desde os primeiros minutos. Filmado em 35mm, o longa utiliza uma composição visual inicialmente mais fechada, como se quisesse aprisionar o próprio personagem dentro das lembranças de sua brutalidade. A fotografia trabalha com sombras, texturas e uma atmosfera quase sufocante, criando a sensação de que estamos diante de um homem preso ao próprio passado. Quando o filme amplia seu enquadramento, a mudança também parece emocional. Robin deixa de ser apenas uma figura cercada pela violência e passa a existir em um espaço onde é possível respirar, refletir e, talvez, encontrar algum tipo de paz. É uma solução visual simples, mas bastante eficiente para traduzir a transformação proposta pelo roteiro.


A Morte de Robin Hood
A Morte de Robin Hood

(Foto: Divulgação)


E o roteiro, escrito pelo próprio Sarnoski, é justamente onde A Morte de Robin Hood se distancia das versões mais tradicionais. Aqui não há interesse em recontar as Cruzadas, recuperar o conflito com o xerife de Nottingham ou transformar Robin em um herói aventureiro. A lenda é tratada como uma memória distante, quase como um fantasma que sobrevive às pessoas que ajudaram a construí-la. O filme prefere discutir culpa, fé, violência e a necessidade de encontrar algum sentido depois de uma vida inteira tomando decisões difíceis. É um Robin Hood muito mais humano, e talvez por isso também seja um personagem muito mais melancólico.


Essa mudança de tom encontra seu principal apoio em Hugh Jackman. O ator interpreta Robin com uma fisicalidade que impressiona, mas é nos momentos de silêncio que sua atuação realmente ganha força. Há um cansaço no olhar, uma espécie de resignação em cada movimento, como se aquele homem já tivesse passado da fase de lutar contra seus próprios fantasmas e agora precisasse simplesmente aprender a conviver com eles. Jodie Comer também se destaca como Brigid, a freira responsável pelo priorado onde Robin encontra abrigo. A relação entre os dois é o coração emocional do filme e cria uma tensão muito mais íntima do que qualquer batalha poderia proporcionar. Comer e Jackman constroem uma dinâmica baseada principalmente em olhares, pausas e palavras que parecem carregar muito mais significado do que dizem.


É nesse ponto que o filme encontra sua melhor ideia. Depois de apresentar a violência como parte fundamental da identidade de Robin, Sarnoski passa a investigar o que existe quando essa violência deixa de ser necessária. O longa troca progressivamente o espetáculo pelo diálogo e o campo de batalha pelo espaço íntimo do priorado. A direção acompanha essa mudança com planos mais próximos e uma câmera interessada nos rostos dos personagens. A trilha sonora também trabalha a favor dessa atmosfera, evitando transformar cada momento em uma grande declaração emocional. O resultado é uma experiência que pode ser contemplativa e desconfortável ao mesmo tempo, especialmente para quem espera um épico medieval convencional.


A Morte de Robin Hood
A Morte de Robin Hood

(Foto: Divulgação)


Visualmente, A Morte de Robin Hood é um filme que merece ser visto em tela grande. A fotografia em película, os cenários naturais e a construção cuidadosa dos enquadramentos dão ao longa uma textura que contrasta com boa parte dos épicos digitais contemporâneos. Ao mesmo tempo, existe uma certa irregularidade na maneira como Sarnoski conduz a narrativa. A primeira parte é mais agressiva e marcada pela violência, enquanto o segundo ato desacelera consideravelmente para investir no drama de seus personagens. Essa mudança pode parecer brusca para quem espera uma aventura tradicional, mas também é justamente o que torna a proposta interessante. O filme não quer celebrar Robin Hood. Quer entender o que sobrou dele.


No fim, A Morte de Robin Hood é menos sobre a morte de um lendário fora da lei e mais sobre a morte da imagem que construímos dele. Sarnoski não entrega um épico perfeito e, em alguns momentos, suas pretensões filosóficas parecem maiores do que a própria história consegue sustentar. Ainda assim, existe algo genuinamente bonito na tentativa de transformar uma figura conhecida por sua coragem em um homem obrigado a encarar seus próprios erros. Hugh Jackman encontra nesse Robin uma de suas interpretações mais contidas e interessantes, enquanto Jodie Comer ajuda a dar ao filme o coração que ele precisa. É uma obra sobre violência, mas também sobre o desejo de finalmente deixar a violência para trás.



Opinião da Redação: "A Morte de Robin Hood pode frustrar quem espera espadas, batalhas e aventura em ritmo acelerado, mas recompensa quem estiver disposto a conhecer uma versão mais humana e dolorosa da lenda. Não é um filme sobre como Robin Hood se tornou uma lenda. É sobre o homem que precisou sobreviver depois que a lenda já estava construída. E talvez seja justamente aí que esteja sua maior força."

"


Robin Hood sempre foi lembrado como um herói. Mas e se a melhor história sobre ele fosse justamente aquela que mostra o homem por trás da lenda? Você gostaria de ver mais versões de personagens clássicos seguindo esse caminho mais sombrio e humano?




Ficha Técnica


Nome: A Morte de Robin Hood

Tipo: Filme

Onde assistir: Cinema

Categoria: Ação / Aventura / Suspense

Duração: 2h e 9min



Nota: 4/5



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